Clima de medo leva brasileiros nos EUA a pedir ajuda para retornar ao Brasil

Relatos de abusos, detenções arbitrárias e mortes agravam clima de insegurança

Um homem é detido após agentes do ICE e outros policiais realizarem uma operação de imigração em sua casa em St. Paul, Minnesota, EUA, em 18 de janeiro de 2026.
Imagem: Leah Millis/ REUTERS

Minneapolis, no estado americano de Minnesota, vive dias de medo e tensão. Operações conduzidas por agentes federais de imigração resultaram na morte de cidadãos americanos. Como consequência, protestos se espalharam por várias cidades dos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, a comunidade brasileira acompanha o cenário com apreensão. Muitos buscam informações, apoio consular e até ajuda para deixar o país. O impacto atinge famílias, trabalhadores e estudantes.

Clima de medo

Segundo a professora de Direitos Humanos e cônsul honorária do Brasil em Minnesota, Kathya Cibelle Dawe, o medo não se limita a imigrantes sem documentos. Pelo contrário. Trabalhadores presenciais, estudantes e famílias inteiras passaram a mudar rotinas.

Assim, pessoas que antes circulavam livremente agora evitam sair de casa. A tensão é constante. O receio de abordagens agressivas cresce a cada dia.

Operações questionadas

O governo federal justificou as ações como resposta a supostas fraudes em programas sociais. No entanto, Dawe afirma que esse tipo de investigação não é atribuição central do ICE.

Na prática, segundo ela, ocorreram detenções em massa. Além disso, houve uso excessivo da força. Como resultado, civis morreram durante operações ou sob custódia federal.

Nos primeiros dias de 2026, ao menos oito pessoas morreram nessas circunstâncias. Em 2025, o número chegou a 32 mortes, o maior em mais de duas décadas.

Direitos violados

Além das mortes, surgem denúncias graves. Há relatos de detenções sem explicação clara. Também há casos sem acesso a advogados. Em alguns episódios, até cidadãos americanos foram abordados.

Em um caso citado pela cônsul, agentes invadiram uma residência sem mandado judicial. Um homem foi algemado e retirado de casa sob ameaça de armas. Horas depois, ao constatar que ele era cidadão naturalizado, os agentes o liberaram sem qualquer justificativa.

Enquanto isso, decisões recentes da Suprema Corte ampliaram o poder de abordagem do ICE. A autorização para considerar aparência física e idioma gerou críticas e denúncias de perfilamento racial.

Impacto nos brasileiros

Para os brasileiros, os efeitos são diretos. O consulado registra aumento significativo de pedidos de ajuda. Muitos procuram localizar parentes detidos em outros estados. Outros solicitam renovação de documentos ou apoio para retornar ao Brasil.

Segundo Dawe, o medo se espalhou. Muitos afirmam não se sentir mais seguros para permanecer nos Estados Unidos.

Resposta solidária

Apesar do cenário tenso, há também sinais de solidariedade. Comunidades locais se organizaram. Grupos promovem mutirões de alimentos e doações. O objetivo é ajudar imigrantes que evitam sair de casa.

Assim, em meio ao medo, surge uma rede de apoio. Um contraste claro com a dureza das operações federais. Para muitos, esse espírito solidário mantém viva a esperança em um momento de crise.