A Prefeitura de Tatuí (SP) instalou 90 caixas do programa “Aedes do Bem” para reduzir a população do Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. A primeira estrutura começou a funcionar na quarta-feira (11). Até agora, o município registrou cinco casos da doença em 2026.
A estratégia aposta em mosquitos machos com característica autolimitante. Como eles não picam, não transmitem vírus. Além disso, ao cruzarem com fêmeas silvestres, geram descendentes que não chegam à fase adulta. Dessa forma, o número de fêmeas responsáveis pela transmissão, diminui a cada ciclo reprodutivo. Assim, o impacto ocorre de maneira progressiva e controlada.
Segundo Natalia Verza Ferreira, diretora executiva da empresa responsável pela tecnologia, o método atua diretamente na reprodução. “A cada geração, reduzimos a quantidade de fêmeas aptas a transmitir a doença”, explica. Portanto, a tendência é que os índices caiam ao longo do tempo.
Por sua vez, a secretária municipal de Saúde, Fabiana Grechi, garante que a tecnologia não oferece riscos. “Não há efeitos colaterais nem danos para quem aplica ou para quem tem contato”, afirma. Além disso, ela reforça que o município mantém acompanhamento técnico permanente.
Como funcionam as caixas
Cada caixa contém ovos e alimento para garantir o desenvolvimento dos mosquitos até a fase adulta. Quando entram em contato com a água, os ovos eclodem. No entanto, apenas as larvas machos sobrevivem. Em cerca de 14 dias, completam o ciclo e seguem para o ambiente.
Cada equipamento cobre até 5 mil metros quadrados. Por isso, a equipe técnica definiu a distribuição com base na densidade populacional, nas características urbanas e em dados entomológicos e epidemiológicos. Dessa maneira, o município assegura cobertura homogênea nas áreas estratégicas. Ao mesmo tempo, prioriza regiões com maior incidência da doença.
Áreas contempladas em Tatuí
A prefeitura implantou o programa no perímetro urbano ao longo do Ribeirão Manduca, do Jardim Wanderley até a ponte do Jardim Lírio. Além dessa faixa, incluiu bairros da região sul.
As equipes instalaram as caixas no Jardim Rosa Garcia, Vila Esperança, Centro, Vila Angélica, Colina Verde e Vila São Cristóvão. Além disso, priorizaram pontos críticos, como os cemitérios Cristo Rei e São João Batista, onde historicamente há maior risco de proliferação. Assim, o planejamento combina critério técnico e prevenção estratégica.
Atualmente, 192 cidades brasileiras já adotam a tecnologia. Somente no último ano, cerca de 70 municípios passaram a utilizar o método. Ou seja, a iniciativa vem ganhando escala nacional.
Orientações aos moradores
A Secretaria de Saúde orienta os moradores a não mexerem nas caixas. Caso alguém identifique dano ou tentativa de vandalismo, deve comunicar imediatamente a prefeitura. Enquanto isso, as equipes mantêm monitoramento constante dos equipamentos.
Ainda assim, a gestão reforça que a tecnologia complementa as ações tradicionais. Portanto, eliminar água parada, limpar calhas e manter quintais organizados continuam medidas essenciais no combate à dengue. Em outras palavras, o controle depende tanto da inovação quanto da participação da população.
Vacinação e histórico da doença
Em 2025, Tatuí registrou mais de 3 mil casos de dengue. Antes disso, em 2021, a cidade enfrentou um surto que ultrapassou 20 mil confirmações e levou a prefeitura a decretar situação de emergência. Desde então, o município intensificou ações de prevenção.
Atualmente, as Unidades Básicas de Saúde oferecem a vacina contra a dengue para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Até o momento, a rede municipal aplicou 2.777 primeiras doses e 1.294 segundas doses. Dessa forma, a cidade combina imunização, tecnologia e mobilização social para conter novos surtos.
