O Carnaval no Brasil é iniciado em Vitória, com os desfiles das escolas de samba da Grande Vitória sendo realizados no Sambão do Povo. Inicialmente, as apresentações do grupo especial estão programadas para os dias 6 e 7 de fevereiro. Posteriormente, o grupo de acesso será levado à avenida nos dias 13 e 14. Em âmbito nacional, a maratona de momo será vivenciada entre os dias 13 e 17 de fevereiro.
Nesse contexto, marcado por altas temperaturas, esforço físico prolongado e consumo frequente de bebidas alcoólicas, a saúde costuma ser deixada em segundo plano. Segundo o cardiologista Fábio Pitta, cuidados básicos acabam sendo negligenciados pelos foliões ao longo da festa.
“Quando atividades físicas de curta duração são realizadas, a hidratação, a alimentação e o alongamento costumam ser feitos. No entanto, durante o Carnaval, esses cuidados acabam sendo esquecidos”, afirma.
Como consequência, a falta de atenção pode resultar em desidratação, alterações na pressão arterial e hipoglicemia. Dessa forma, quadros de tontura, confusão mental e até desmaios podem ser desencadeados, sobretudo quando o consumo de álcool é associado ao calor intenso.
“O álcool, quando combinado com altas temperaturas, pouca ingestão de água e alimentação inadequada, acaba sendo um fator importante para o mal-estar”, alerta Pitta. Além disso, a atenção deve ser redobrada entre idosos, crianças e pessoas com comorbidades, como hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares.
Da mesma forma, a médica Thaiz Boldrin ressalta que idosos e pacientes com doenças crônicas apresentam maior risco de desidratação. Já entre pessoas em uso de insulina, episódios de hipoglicemia podem ser provocados por longos períodos em jejum.
“Boca seca, sede intensa, tontura, confusão mental, falta de ar e até febre são sinais que precisam ser observados”, explica. Diante desses sintomas, portanto, a busca por atendimento médico deve ser feita. O mesmo cuidado é indicado em situações de dor no peito ou alterações neurológicas agudas.
Outro grupo que merece atenção especial é formado por usuários das chamadas canetas emagrecedoras. Nesse caso, a nutróloga Marcella Garcez, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), destaca que medicamentos agonistas de GLP-1, como semaglutida e tirzepatida, têm o apetite reduzido e o risco de náuseas aumentado. Assim, a desidratação e a ingestão alimentar insuficiente podem ser favorecidas.
“Nessas situações, as refeições não devem ser puladas, a alimentação precisa ser fracionada e a hidratação deve ser garantida. Além disso, o consumo de álcool deve ser reduzido”, orienta.
O que e quando comer para evitar mal-estar
Para que a folia seja aproveitada com mais segurança, a alimentação equilibrada é apontada como essencial. Segundo a nutróloga, o Carnaval não deve ser encarado nem como período de restrição extrema nem de exageros.
Na noite anterior
Antes de tudo, no dia que antecede os blocos, especialmente quando a saída ocorre cedo, é indicada uma refeição com boa oferta de carboidratos, proteína moderada e pouca gordura. Dessa maneira, os estoques de glicogênio são aumentados e a disposição no dia seguinte é favorecida. Massas com frango, arroz, feijão, legumes, peixe, batata ou mandioca com proteína magra são opções recomendadas.
Antes do bloco
Em seguida, uma refeição leve deve ser realizada entre 60 e 90 minutos antes da saída. A combinação de carboidratos de fácil digestão com fontes de proteína é indicada para que a glicemia seja mantida estável. Pão com ovo, tapioca com queijo branco, iogurte com frutas ou banana com aveia estão entre os exemplos adequados.
Por outro lado, alimentos gordurosos, frituras e bebidas açucaradas devem ser evitados, pois o risco de náuseas, refluxo e desconforto gastrointestinal tende a ser aumentado durante o esforço físico e o calor.
Durante a folia
Ao longo da festa, longos períodos em jejum devem ser evitados. A ingestão de água deve ser priorizada e, quando necessário, pode ser alternada com bebidas que contenham eletrólitos em situações de exposição prolongada ao calor. Frutas, barrinhas de proteína ou carboidrato e pequenas porções de castanhas podem ser consumidas.
Além disso, o consumo de álcool em jejum não é recomendado. Para reduzir os riscos, cada dose alcoólica deve ser intercalada com água, enquanto pequenas refeições devem ser feitas ao longo do dia.
Depois do bloco
Por fim, após horas de esforço físico, a recuperação deve ser priorizada. Refeições equilibradas, com carboidratos, proteínas e legumes, são indicadas para reposição de energia e auxílio na recuperação muscular. Arroz, feijão, carnes magras, sanduíches ou sopas leves aparecem como alternativas adequadas.
“Com planejamento simples de alimentação e hidratação, o mal-estar pode ser evitado e, assim, o Carnaval pode ser aproveitado com mais segurança”, conclui Garcez.
