
O vereador Armandinho Fontoura (PL) retirou o pedido de urgência do Projeto de Lei nº 004/2026, que propõe a mudança do nome da Avenida Dante Michelini para Avenida Governador Gerson Camata. A matéria estava na pauta da sessão desta segunda-feira (09), na Câmara Municipal de Vitória.
Com a retirada do regime de urgência, o parlamentar confirmou a realização de audiência pública na quinta-feira, dia 26 de fevereiro, às 16 horas, no plenário da Câmara Municipal de Vitória, para ampliar o debate com a sociedade sobre a proposta.
O projeto prevê a revogação da Lei Municipal nº 1.701, de 1967, que batizou oficialmente a via. A proposta busca alterar o nome de uma das avenidas mais conhecidas e movimentadas da capital capixaba para homenagear o ex-governador e ex-senador Gerson Camata, que exerceu mandatos como vereador de Vitória, deputado estadual, deputado federal, governador do Espírito Santo e senador da República por três mandatos.
Ao justificar a retirada da urgência, Armandinho afirmou que a intenção é ampliar a discussão. “Esse é um tema que mexe com a história, com a memória e com os sentimentos da cidade. Quero que a sociedade participe, opine e seja ouvida antes de qualquer decisão”, declarou.
Durante o debate, o vereador também rebateu críticas feitas em plenário. “Tem que parar com essa demagogia. Eu gostaria que o nome da avenida fosse Araceli. Só que, lamentavelmente, em 2017 já fizeram uma homenagem. Não fizeram esse debate que nós estamos fazendo”, afirmou.
Armandinho declarou que a proposta não trata do nome do acusado pelo crime, mas do avô. “Nós não estamos tratando do nome do possível assassino, que é o avô dele. Que era um homem honrado, um homem que teve toda a contribuição para a construção da Dante Michelini, que ele doou o terreno. Só que nós chamamos a atenção disso porque é o mesmo nome”, disse.
O vereador também mencionou o Caso Araceli, ocorrido em 1973. “Foi um crime que está entalado na garganta. Teve um julgamento e em 1990 foi desfeito o julgamento. Foi uma decisão teratológica do Judiciário capixaba que está na página negra da história”, declarou.
Ele afirmou ainda que não houve iniciativa isolada para a escolha do novo nome proposto. “Nós não tiramos Gerson Camata da cartola. Nós apuramos e vimos que há um pedaço da Segunda Ponte no município de Cariacica e Vila Velha que foi denominado como Gerson Camata. No município de Vitória não há nenhum logradouro público que homenageia esse grande homem”, disse.
Armandinho também declarou: “Eu tenho responsabilidade de virar uma página negra e uma chaga da sociedade capixaba”. Na justificativa do projeto, o vereador argumenta que o filho de Dante Michelini foi um dos acusados pelo assassinato da jovem Araceli Cabrera Sánchez Crespo, de oito anos, morta em 18 de maio de 1973. O corpo foi encontrado seis dias depois, desfigurado por ácido e com marcas de violência e abuso sexual. “Isso é uma chaga aberta na cidade de Vitória e a mudança será um combate frontal contra estupradores e pedófilos”, afirmou.
Sobre a homenagem a Gerson Camata, o parlamentar sustenta que a iniciativa tem caráter histórico. “Uma avenida que carrega seu nome conta uma história, inspira futuras gerações e fortalece nosso vínculo com personalidades que moldaram nosso caminho coletivo”, declarou. Para ele, manter viva a memória de Camata é reconhecer uma liderança que representou o Espírito Santo “do município ao Senado Federal, sempre com destemor e paixão”.
Caso a proposta seja aprovada após a tramitação legislativa, as despesas com a confecção e instalação das novas placas ficarão a cargo do Poder Executivo Municipal, utilizando dotações orçamentárias próprias.
Com a audiência pública marcada para o dia 26 de fevereiro, às 16 horas, no plenário da Câmara Municipal, o debate sobre o futuro do nome da Avenida Dante Michelini deverá reunir vereadores e representantes da sociedade civil para discutir as propostas em tramitação.
