Café capixaba ganha destaque no mercado de luxo internacional

Vendido na Bacha Coffe e Harrods, o café capixaba feito com as vezes do pássaro jacu, é impulsionado por métodos artesanais e produção sustentável

- Café capixaba se diferencia por depender das fezes da ave jacu. Foto: Divulgação

Por Amanda Amaral 

O café capixaba feito a partir das fezes do jacu – uma ave típica da Mata Atlântica, se tornou iguaria de luxo nas boutiques de uma das cafeterias mais sofisticadas do mundo. A bebida já é considerada uma das mais caras do Brasil, e agora pode ser degustada por algo em torno de R$ 180,00 na Champs-Élysées – avenida mais famosa de Paris, na França.

Com filiais espalhadas pelo globo, a Bacha Coffe – originária de Marrakesh, Marrocos, mistura tradição e história, e está ajudando a popularizar o café capixaba no mercado de luxo internacional. No vasto cardápio da cafeteria – especializada em 100% arábica e cafés raros e exóticos, há dois que chamam atenção pelo preço, pois estão entre os mais caros.

Um deles é o Paraíso Gold – de Minas Gerais, vendido a 1,276 MAD (R$ 750,00), por exemplo. Já o outro é o café capixaba Camocim Jacu Bird, da região de Pedra Azul, em Domingos Martins, Espírito Santo, único capixaba na lista de produtos da América do Sul, que sai por 303,00 MAD, cerca de R$ 180,00.

O CEO da Fazenda Camocim, Henrique Sloper, explica que o produto é exportado para a Alemanha. “Este café está vindo da Alemanha, porque exportamos ele para lá. São eles que revendem o café para essa cadeia de lojas, que é uma cafeteria ultrasofisticada, que é muito ligada na forma como o café merece ser servido”, explicou o empresário.

Sobre o Paraíso Gold, Sloper explicou que a marca também pensa em globalização. “É nosso amigo, muito parceiro, faz parte do grupo de cafeicultores que andam juntos pelo mundo vendendo o café do Brasil, falando de sua origem e dos valores que nós temos aqui”, pontuou. Vale lembrar que o café do jacu também é vendido em Londres, na gigante britânica de luxo – Harrods.

Mercado de luxo

Café capixaba ganha destaque no mercado de luxo internacional
Henrique Sloper é CEO da Fazenda Camocim. Foto: divulgação

O Camocim Jacu Bird é caro e por alguns motivos. O trabalho é inteiramente manual e demorado, que vai desde o recolhimento das fezes do pássaro jacu na lavoura, até a limpeza e produção. Todo o processo é artesanal. É considerado low coffee, já que a ave absorve 70% da cafeína. Além disso, a Fazenda Camocim foi a primeira empresa de café do Brasil a obter a certificação internacional Regenerative Organic Certified (ROC) em agricultura orgânica regenerativa.

A agricultura biodinâmica não utiliza adubos sintéticos, agrotóxicos, sementes transgênicas, antibióticos ou hormônios. A fazenda é uma agrofloresta, que une árvores locais e culturas agrícolas no mesmo espaço. O pássaro jacu – antes visto como inimigo por atacar a lavoura, agora tem três outras funções: identificar quando os grãos já estão maduros; selecionar o café; e espalhar sementes pela fazenda.

O fator sustentabilidade agrega ainda mais valor ao produto, já que hoje, os clientes estão cada vez mais exigentes quanto à procedência e fabricação daquilo que consomem. Tanto, que a Fazenda Camocim divulga em seu site relatório de impacto e sustentabilidade.

Sobre a Bacha Coffe

Café capixaba ganha destaque no mercado de luxo internacional
A ave jacu é nativa da Mata Atlântica e encontrada em diferentes partes do Espírito Santo. Foto: Divulgação

A Bacha Coffee foi criada em 1910, no luxuoso palácio Dar el Bacha, e tem por objetivo oferecer aos amantes de café ampla variedade, mas com qualidade e sabor. Possui produtos de mais de 35 países. Em 2019, foi adquirida pela V3 Gourmet, grupo de Singapura especializado em gastronomia de luxo. A loja da Champs-Élysées, em Paris, inaugurada esse ano, foi considerada pela rede global um acontecimento histórico e um novo capítulo da marca, pois se trata de sua primeira flagship (loja conceito) na Europa.

FONTE: ES BRASIL