
A BRK Ambiental, empresa controlada pela canadense Brookfield, responsável pelos serviços de água e esgoto em Cachoeiro de Itapemirim (ES), tem sido alvo de duras críticas por parte da população, do legislativo local e do Ministério Público. A concessionária é acusada de má gestão, descumprimento contratual e distanciamento completo do interesse público.
Atualmente, a empresa enfrenta uma fase de extrema baixa produtividade e falhas recorrentes na prestação de serviços essenciais em diversos bairros do município. Moradores denunciam cobranças por serviços não prestados e falta de respostas por parte da companhia. A insatisfação popular vem crescendo, assim como os prejuízos aos contribuintes.
A situação é agravada pela centralização das decisões da BRK em sua sede em São Paulo. A gerência local não possui autonomia, e a empresa mantém uma postura de silêncio diante das críticas e denúncias, o que, segundo observadores, torna impossível qualquer diálogo direto com a população cachoeirense.
Nos bastidores, a controladora Brookfield estaria em tratativas para vender sua participação na BRK Ambiental, hoje avaliada em R$ 10 bilhões, com apoio de bancos como BTG Pactual, Itaú BBA e Santander. Essas movimentações financeiras estariam, segundo fontes locais, diretamente ligadas ao aparente descaso da companhia com suas operações em Cachoeiro.
A história da concessão da água e esgoto no município é marcada por polêmicas. Desde a transição do antigo SAAE para a Citágua, passando pela Odebrecht Ambiental e, agora, a BRK, a sucessão de empresas levanta suspeitas sobre a condução do processo.
Em 2019, ainda no governo de Victor Coelho, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) chegou a ser protocolada por nove vereadores para apurar irregularidades na concessão, mas o documento “desapareceu” misteriosamente do legislativo municipal.
No apagar das luzes da gestão de Victor Coelho, surgiu a informação da renovação da concessão por mais 30 anos à BRK, sem a realização de audiência pública ou transparência no processo, o que vem sendo chamado por críticos de “concessão vitalícia”. O vereador Vitor Azevedo (Podemos) denunciou a renovação e conseguiu o apoio do Ministério Público, que agora investiga o caso.
O atual prefeito Theodorico Ferraço (PP), que iniciou a transição do SAAE para a Citágua em 2011, estaria, segundo aliados, insatisfeito com a ineficiência da BRK. Ferraço avalia, inclusive, contratar a Cesan para operar projetos como o da Cidade Industrial, caso os problemas persistam.
O que se desenha, ao fim, é um possível colapso no modelo atual de concessão, que pode terminar em um golpe no bolso do contribuinte cachoeirense, sem transparência, sem retorno social e com indiferença institucional