Brasil cai no Índice de Percepção da Corrupção e acende alerta institucional

País enfrenta estagnação no ranking global, enquanto nações com políticas sólidas de integridade avançam

O Índice de Percepção da Corrupção (IPC), divulgado anualmente pela Transparência Internacional, voltou a colocar o Brasil sob pressão no cenário global. O levantamento mede a percepção de especialistas e empresários sobre o nível de corrupção no setor público em 180 países. Em 2025, o Brasil registrou nova queda na pontuação, reforçando preocupações sobre governança, estabilidade institucional e confiança internacional.


Brasil perde posições e amplia desafio interno

O Brasil alcançou 36 pontos em uma escala que vai de 0 (altamente corrupto) a 100 (muito íntegro), permanecendo abaixo da média global. Além disso, o país ocupa posição intermediária no ranking, distante das democracias mais consolidadas.

Especialistas apontam que fatores como instabilidade política, fragilidade na fiscalização de recursos públicos e sucessivos embates institucionais contribuem para o resultado. Ao mesmo tempo, o avanço lento de reformas estruturais também pesa negativamente na avaliação internacional.

Por outro lado, o índice não mede casos específicos, mas sim a percepção consolidada de integridade pública. Ainda assim, essa percepção influencia diretamente investimentos estrangeiros, credibilidade diplomática e competitividade econômica.


Países mais bem avaliados

Enquanto o Brasil enfrenta dificuldades, países como Dinamarca, Finlândia e Nova Zelândia seguem nas primeiras posições. Essas nações combinam:

  • Sistemas de controle independentes
  • Transparência ativa nos gastos públicos
  • Justiça célere
  • Cultura institucional de responsabilidade

Consequentemente, esses fatores criam um ambiente mais previsível e seguro para negócios e políticas públicas.


América Latina mantém cenário instável

Na América Latina, o cenário permanece heterogêneo. O Uruguai lidera a região com desempenho superior à média global. Entretanto, países como Venezuela e Nicarágua figuram entre os piores colocados do mundo.

O Brasil, portanto, posiciona-se em uma zona intermediária regional. Embora não esteja entre os piores, também não integra o grupo de maior confiabilidade institucional.


Impacto direto na economia e na política

O Índice de Percepção da Corrupção influencia decisões estratégicas de investidores internacionais. Quanto menor a pontuação, maior o risco percebido. Assim, empresas tendem a exigir garantias adicionais ou evitar mercados com baixa previsibilidade jurídica.

Além disso, o IPC impacta debates internos sobre reformas administrativas, fortalecimento de órgãos de controle e aprimoramento das políticas de compliance no setor público.

Analistas defendem que o Brasil precisa fortalecer mecanismos de transparência, garantir autonomia técnica às instituições fiscalizadoras e reduzir interferências políticas nos sistemas de controle. Caso contrário, o país poderá enfrentar maior isolamento econômico.


Transparência como ativo estratégico

A corrupção não compromete apenas cofres públicos. Ela enfraquece a confiança social, reduz a eficiência do Estado e compromete políticas essenciais, como saúde, educação e infraestrutura.

Por isso, governos que investem em dados abertos, auditorias independentes e responsabilização efetiva costumam apresentar melhor desempenho no ranking global.

No caso brasileiro, o desafio permanece claro: transformar discurso em prática institucional consistente.