
Operação investiga fraudes bilionárias no Banco Master
O empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, foi preso nesta quarta-feira (4/3) durante mais uma fase da operação da Polícia Federal que apura supostas irregularidades na instituição. A prisão ocorre, portanto, em meio ao avanço das investigações. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a medida.
Além dele, o cunhado de Vorcaro, o empresário Fabiano Campos Zettel, também é alvo da corporação. Nesta terceira fase da Operação Compliance Zero, a PF investiga a possível prática de crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos. Conforme as apurações, uma organização criminosa teria cometido esses crimes.
Bloqueio de R$ 22 bilhões e afastamento no Banco Central
Além das prisões, o STF determinou o afastamento de dois servidores do Banco Central do Brasil (BC): Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização, e Bellini Santana. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, já tinha afastado ambos anteriormente. Adicionalmente, o STF autorizou o sequestro e o bloqueio de bens de até R$ 22 bilhões. Com isso, busca interromper a movimentação de ativos ligados ao grupo investigado e, ao mesmo tempo, preservar valores possivelmente relacionados às irregularidades.
Ao todo, a Polícia Federal cumpre quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão. O STF expediu todas as ordens para cumprimento nos estados de São Paulo e Minas Gerais. Além disso, o Banco Central apoia as investigações e atua em cooperação com a PF.
Prisão ocorreu no dia de depoimento à CPI
Paralelamente, a PF investiga Vorcaro por suspeita de envolvimento em um esquema bilionário de fraudes financeiras relacionado à venda de títulos de crédito supostamente falsos pelo Banco Master. Os agentes o prenderam em sua residência, em São Paulo, e, em seguida, o encaminharam à Superintendência da Polícia Federal na capital paulista.
Vale lembrar que esta é a segunda vez que o empresário é preso no âmbito das investigações. Em 17 de novembro, a PF o deteve quando ele se preparava para embarcar em um voo internacional. Na ocasião, a Justiça o libertou dez dias depois e determinou que ele utilizasse tornozeleira eletrônica.
Coincidentemente, a nova prisão ocorreu no mesmo dia em que ele deveria depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado. Com a decisão de Mendonça, entretanto, a presença dele se tornou facultativa. Ainda assim, os senadores também esperavam ouvir Fabiano Zettel.
Por fim, na decisão, o ministro destacou a relevância da CPI, mas afirmou que é indispensável garantir a qualquer investigado o direito constitucional de não produzir prova contra si mesmo. Até a última atualização, porém, a defesa de Vorcaro não havia se manifestado.




