Após 12 anos, ex-vereador acusado de tráfico é preso

Investigado por envolvimento em esquema de tráfico, ele estava foragido desde a condenação.

A Polícia Federal prendeu, no último sábado (14), o ex-vereador de São Bento (PB) João Dantas Clementino, que estava foragido há 12 anos. Ele é suspeito de integrar e chefiar um dos núcleos de uma organização criminosa voltada ao tráfico internacional de drogas. Com isso, as autoridades encerram uma busca que se arrastava desde 2014.

Segundo a PF, o ex-parlamentar fugiu logo após a deflagração da Operação Passaguá. Na ocasião, as forças de segurança cumpriram ações em João Pessoa, Patos e São Bento. Além disso, a Justiça expediu cerca de 50 mandados de prisão. A investigação, por sua vez, identificou atuação do grupo em pelo menos oito estados brasileiros.


Denúncia e ramificações do esquema

Em 2015, o Ministério Público da Paraíba (MPPB) denunciou 56 pessoas acusadas de integrar a rede interestadual de tráfico. Conforme as apurações, a organização operava principalmente no Sertão paraibano e, ao mesmo tempo, abastecia cidades como Campina Grande.

Além disso, a Polícia Federal apontou que o grupo aliciava vendedores de redes de São Bento para transportar drogas a outros estados. Dessa forma, utilizava rotas estratégicas para ampliar a distribuição. A maconha vinha de Pernambuco e Bahia, bem como de trajetos que passavam por Foz do Iguaçu (PR) e Mato Grosso do Sul. Já a cocaína chegava de São Paulo e do Paraná.


Apreensões e estrutura organizada

Durante a Operação Passaguá, os agentes apreenderam cerca de 60 mil pés de maconha em Riacho dos Cavalos. Além disso, encontraram mais de 130 quilos da droga escondidos em um caminhão de redes. Essas apreensões, portanto, reforçaram a dimensão do esquema.

As investigações também identificaram um núcleo da organização em Campina Grande. Esse grupo coordenava a distribuição em diversos bairros e mantinha ligação com integrantes em outros estados. Segundo o Ministério Público, a quadrilha atuava de forma estruturada e permanente.

Para dificultar a ação policial, os integrantes escondiam drogas em cargas comerciais e adaptavam veículos com compartimentos secretos. Além disso, utilizavam contas bancárias de terceiros e empregavam linguagem codificada nas comunicações. Assim, buscavam reduzir o risco de identificação.


Desfecho após mais de uma década

A investigação durou cerca de um ano e meio e reuniu provas consideradas consistentes pelas autoridades. Desde então, o ex-vereador permanecia foragido.

Agora, com a prisão, o caso retoma seu curso judicial. O investigado deve responder pelos crimes apontados na denúncia do Ministério Público. Dessa maneira, a Polícia Federal conclui uma das etapas de um processo que se estendeu por mais de dez anos.