
Por: Grasieli Ravera
Um surto suspeito de hantavírus em um navio de cruzeiro no Oceano Atlântico resultou na morte de três pessoas e deixou outras três doentes, segundo informou a Organização Mundial da Saúde (OMS) neste domingo (3). Pelo menos um caso da doença já foi confirmado, enquanto as investigações continuam.
De acordo com a OMS, um dos pacientes permanece internado em estado grave em um hospital na África do Sul. Além disso, equipes trabalham para evacuar outros passageiros com sintomas.
Transmissão ocorre por contato com roedores
O hantavírus é transmitido principalmente por roedores infectados. A infecção ocorre, na maioria dos casos, pela inalação de partículas presentes no ar contaminadas por fezes, urina ou saliva desses animais.
Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), o vírus pode se dispersar com facilidade no ambiente, sobretudo quando os resíduos estão secos. Em situações mais raras, a transmissão também pode acontecer por mordidas ou arranhões.
Doença pode evoluir para quadros graves
O vírus pode causar doenças graves. A principal delas é a Síndrome Pulmonar por Hantavírus (HPS), que começa com sintomas como febre, dores musculares e cansaço. Com a evolução, surgem sinais mais graves, como falta de ar e comprometimento respiratório.
Nesses casos, a taxa de mortalidade pode chegar a cerca de 38%. No Brasil, a doença costuma se manifestar como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), com impacto direto nos pulmões e no sistema cardiovascular.
Outra forma associada ao vírus é a Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (HFRS), mais comum em outras regiões do mundo. Esse quadro afeta principalmente os rins e pode provocar hemorragias e insuficiência renal.
Sintomas incluem febre, dor e dificuldade para respirar
Na fase inicial, a hantavirose provoca sintomas como febre, dor de cabeça, dores nas articulações, dor abdominal e desconfortos gastrointestinais. Com a progressão, o quadro pode evoluir para dificuldade respiratória, tosse seca, batimentos acelerados e queda de pressão arterial.
Tratamento é de suporte e exige atenção médica
Não há tratamento antiviral específico para a hantavirose. Por isso, os médicos focam no suporte clínico para aliviar sintomas e manter as funções vitais.
Casos graves exigem internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com suporte respiratório e monitoramento constante. Em algumas situações, pode ser necessário o uso de ventilação mecânica e até hemodiálise, caso haja comprometimento renal.
Casos no Brasil exigem atenção
No Brasil, a doença apresenta maior incidência nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Ainda assim, já há registros em diversas partes do país, com casos confirmados em pelo menos 16 unidades da federação.
Especialistas alertam que a prevenção passa pelo controle de roedores e pela adoção de cuidados em ambientes com risco de contaminação.










