Ex-bispo vira réu após padre denunciar abusos sexuais e assédio

O Ministério Público acusa Dom Valdir Mamede de praticar abusos entre 2019 e 2023, em Catanduva. Além da ação penal, a Promotoria pede indenização de R$ 300 mil e medidas cautelares para proteger a vítima.

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- Bispo Dom Valdir Mamede renunciou ao cargo em Catanduva (SP) — Foto: Diocese de Catanduva/Divulgação

O ex-bispo de Catanduva (SP), Dom Valdir Mamede, tornou-se réu por importunação sexual após a Justiça aceitar, na terça-feira (30), a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A Promotoria acusa o religioso de cometer uma série de abusos sexuais contra um padre entre 2019 e 2023.

Segundo o Ministério Público, Dom Valdir teria usado sua posição de autoridade na Igreja para constranger a vítima e praticar atos libidinosos sem consentimento. Com a decisão, o processo seguirá para a fase de instrução.

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Ministério Público detalha denúncias

De acordo com a investigação, Dom Valdir atuava como bispo de Catanduva entre 2019 e 2023, enquanto a vítima exercia o sacerdócio em uma paróquia de Ibirá (SP), subordinada à Diocese.

O padre registrou boletim de ocorrência em 22 de março de 2024.

Conforme a denúncia, os abusos ocorreram de forma repetida durante cerca de cinco anos.

Episódios citados na denúncia

O Ministério Público descreve quatro situações consideradas criminosas:

  • O ex-bispo teria usado a relação de hierarquia para intimidar o padre, com ameaças veladas de punições canônicas, como remoção da paróquia ou impedimento do exercício do ministério sacerdotal.
  • Em mais de uma ocasião, Dom Valdir teria pedido que a vítima depilasse seu corpo como forma de praticar assédio sexual. Conversas por aplicativo divulgadas anteriormente mostram esse pedido.
  • Segundo a Promotoria, o religioso realizava chamadas de vídeo, aparecia nu e se masturbava diante da câmera.
  • Em outro episódio, o ex-bispo teria ido à residência do padre. Conforme o MP, ele entrou no imóvel, tirou a roupa, deitou-se nu na cama e se masturbou.

Laudo reforça investigação

Após o último episódio, a vítima recolheu material biológico encontrado em um lençol e encaminhou o conteúdo para perícia.

Segundo o Ministério Público, o laudo confirmou que o material analisado pertencia a um indivíduo do sexo masculino.

Além disso, o promotor Caíque Ducatti afirmou que os elementos reunidos durante a investigação indicam que o acusado se aproveitou da posição de liderança religiosa para manter a vítima em situação de vulnerabilidade psicológica.

MP pede indenização e medidas cautelares

Além da condenação criminal, o Ministério Público solicitou que a Justiça fixe uma indenização mínima de R$ 300 mil por danos morais ao padre.

Segundo a Promotoria, a vítima permanece afastada das atividades religiosas por causa dos impactos psicológicos provocados pelos episódios.

Além disso, o MP pediu medidas cautelares para proteger a vítima e as testemunhas.

Entre os pedidos estão:

  • proibição de contato com a vítima;
  • proibição de frequentar a Diocese de Catanduva e a paróquia de Ibirá;
  • entrega do passaporte;
  • proibição de citar o nome da vítima ou comentar publicamente os fatos investigados.

Processo segue em segredo de Justiça

A 2ª Vara Criminal e Anexo da Infância e da Juventude da Comarca de Catanduva recebeu a denúncia e determinou que o processo tramite em segredo de Justiça.

Agora, a Justiça ouvirá vítimas, testemunhas e o acusado durante a fase de instrução. Ao final do processo, o Judiciário decidirá se condena ou absolve o ex-bispo.

Até a última atualização do caso, a defesa de Dom Valdir Mamede e a Diocese de Catanduva não haviam se manifestado sobre a denúncia.

Ex Bispo
Conversas por app mostram que ex-bispo de Catanduva (SP) pediu para padre que denunciou estupro ‘passar a máquina’ para depilar corpo — Foto: Arquivo pessoal