
A apreensão de medicamentos ilegais no Espírito Santo reacendeu o alerta sobre os riscos do uso de canetas emagrecedoras sem autorização sanitária. A Polícia Federal apreendeu, em Vitória, 256 ampolas de tirzepatida, comercializada no Brasil sob a marca Mounjaro, além de 26 canetas de retatrutida, substância que ainda está em fase de estudos e ainda não possui autorização para venda.
Operação investiga comércio ilegal
A Polícia Federal prendeu um homem de 35 anos suspeito de importar ilegalmente os medicamentos e comercializá-los no Espírito Santo.
Além disso, a corporação cumpriu dois mandados de busca e apreensão, um na residência e outro no estabelecimento comercial do investigado, ambos em Vitória, durante a Operação Black Station.
As investigações começaram após uma denúncia encaminhada pelo canal oficial Comunica PF. A partir dessas informações, os agentes intensificaram o monitoramento e avançaram na apuração.
Durante as buscas, os policiais encontraram 256 ampolas de tirzepatida, 26 canetas de retatrutida e 19 aparelhos celulares importados sem comprovação do recolhimento dos tributos federais.
Segundo a Polícia Federal, o suspeito responderá pelos crimes de descaminho e importação irregular de medicamentos.
Mounjaro tem venda controlada no Brasil
A Anvisa aprovou a tirzepatida para comercialização no Brasil sob a marca Mounjaro. No entanto, farmácias só podem vender o medicamento mediante retenção da receita médica.
Por isso, a Polícia Federal alerta que produtos comercializados clandestinamente representam riscos à saúde pública. Afinal, ninguém consegue garantir a procedência, a qualidade, o armazenamento adequado ou o controle sanitário desses produtos.
Enquanto isso, a retatrutida continua em fase de desenvolvimento clínico e ainda não recebeu autorização para comercialização em nenhum país.
Especialistas apontam riscos à saúde
Especialistas afirmam que o uso de medicamentos adquiridos no mercado clandestino pode provocar sérios problemas de saúde.
A endocrinologista e metabologista Priscila Pessanha Faria explicou que as canetas produzidas no Paraguai não possuem aprovação da Anvisa.
Segundo a médica, o uso dessas substâncias pode aumentar significativamente o número de complicações. Entre os efeitos observados estão náuseas, diarreia, constipação, reações na pele, queda de cabelo, pancreatite e até internações hospitalares.
Além disso, ela reforçou que médicos especializados devem acompanhar todo o tratamento.
“O tratamento precisa ser individualizado. O médico deve orientar o paciente sobre benefícios, riscos e possíveis efeitos adversos”, ressaltou.
Retatrutida ainda está em fase de testes
A endocrinologista e delegada da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) no Espírito Santo, Mariana Guerra, também fez um alerta.
Segundo ela, comprar medicamentos sem aprovação da Anvisa coloca a saúde em risco. Isso porque não existe garantia sobre a composição dos produtos nem sobre as condições sanitárias da fabricação.
Além disso, muitas dessas substâncias sequer possuem autorização para venda no Paraguai.
Por fim, Mariana destacou que a retatrutida permanece na fase 3 de estudos clínicos.
“A retatrutida ainda não está liberada para comercialização em nenhuma parte do mundo”, concluiu.
Polícia mantém combate ao contrabando
A Polícia Federal informou que continuará intensificando as ações de fiscalização e repressão contra a importação clandestina de medicamentos e mercadorias irregulares.
Dessa forma, a corporação busca proteger a saúde pública e impedir a entrada de produtos sem controle sanitário no mercado brasileiro.











