
O Brasil ocupa atualmente a quarta posição no ranking mundial de ataques não provocados de tubarão. No entanto, a maior concentração dos casos ocorre no litoral de Pernambuco, especialmente na região metropolitana do Recife, onde novos incidentes voltaram a ser registrados recentemente.
Entre as vítimas está Kaylanne Timóteo Freitas, hoje com 19 anos. A jovem perdeu o braço esquerdo após sofrer um ataque de tubarão na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, em março de 2023.
Na época, ela tinha apenas 15 anos e aproveitava o feriado da Data Magna de Pernambuco com amigos quando entrou no mar.
“Estava com uma amiga antes dos arrecifes e com a água na cintura”, relembrou em entrevista ao portal Metrópoles.
Segundo Kaylanne, não havia placas de alerta nem presença de guarda-vidas no local no momento do ataque. Além disso, ela afirma que nunca imaginou passar por uma situação semelhante.
“Minha vida virou de cabeça para baixo”
A jovem contou que lembra de todos os detalhes daquele dia. Desde o primeiro contato com o animal até o momento em que acordou no hospital, as memórias permanecem vivas.
“Me lembro de tudo, desde o primeiro contato com o tubarão até quando acordei na sala de pós-operatório. Lembro do desespero, do pensamento de morte e da preocupação com minha avó”, afirmou.
Ela sofreu diversos ferimentos pelo corpo e, consequentemente, teve parte do braço esquerdo amputado.
“Quando saí da água, já me vi sem o braço. Meu osso estava para fora e o sangue jorrando. Eu só pedia a Deus que não me deixasse morrer”, disse.
Após o ataque, Kaylanne ficou internada durante uma semana no Hospital da Restauração, no Recife. Segundo ela, o acompanhamento psicológico e multiprofissional oferecido depois do acidente durou apenas três meses.
Atualmente, três anos após o episódio, a jovem ainda convive com dores físicas, limitações e impactos emocionais causados pelo ataque.
Jovem aguarda prótese funcional
Além das sequelas, Kaylanne afirma que ainda espera receber uma prótese funcional prometida pelo governo de Pernambuco logo após o ataque.
“Consigo me virar, mas ela é essencial. A tecnologia é de ponta e me ajudaria em absolutamente tudo. Seria como recuperar ao menos 60% da minha vida antes da amputação”, declarou.
Segundo a jovem, o equipamento pode custar até R$ 1 milhão. Ainda assim, ela mantém a esperança de conseguir a prótese futuramente.
Justiça negou pedido de indenização
Neste ano, o Tribunal de Justiça de Pernambuco julgou improcedente a ação movida por Kaylanne contra o Estado de Pernambuco e a Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes.
A defesa pedia indenização por danos morais, materiais e estéticos. Além disso, solicitava o fornecimento da prótese funcional e o pagamento de pensão provisória.
Na decisão, assinada pela juíza Juliana Rodrigues Barbosa em janeiro de 2026, a magistrada entendeu que os riscos de ataques de tubarão no litoral da Região Metropolitana do Recife são amplamente conhecidos pela população.
Além disso, a sentença apontou que a ausência de uma placa exatamente no ponto onde a adolescente entrou no mar não caracterizaria omissão do poder público.
Mesmo assim, a defesa da jovem informou que irá recorrer da decisão e pretende levar o caso às instâncias superiores caso o entendimento seja mantido.
Pernambuco concentra maioria dos ataques
Dados do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) mostram que Pernambuco registrou 84 ataques de tubarão desde 1991, quando começou o monitoramento oficial dos casos.
Desse total, 57 vítimas sobreviveram.
Especialistas apontam que fatores ambientais, alterações costeiras e movimentação marítima contribuíram para transformar o litoral pernambucano em uma das áreas mais críticas do mundo para esse tipo de incidente.










