
Meses após o caso do bebê José ganhar repercussão no Espírito Santo por causa de uma queimadura sofrida poucas horas depois do nascimento, a mãe da criança voltou a denunciar problemas no atendimento da rede pública de saúde.
José sofreu queimaduras no pé esquerdo no dia 19 de outubro de 2025, dentro do Hospital Jayme Santos Neves, na Serra. Desde então, o bebê enfrenta cirurgias e procedimentos para tratar as sequelas provocadas pelo acidente.
Nesta terça-feira (2), a mãe da criança, Sara Peisino, afirmou que médicos suspenderam uma cirurgia corretiva marcada no Hospital Estadual Infantil Nossa Senhora da Glória (HINSG), em Vitória, após anestesiarem o bebê e realizarem diversas tentativas de acesso venoso.
Família aguardava procedimento há meses
Segundo Sara, a cirurgia corrigiria sequelas deixadas pela queimadura no pé esquerdo do filho.
A lesão deixou um dos dedos repuxado para baixo e pode comprometer a estabilidade da criança ao caminhar futuramente. Por isso, a família aguardava o procedimento há meses.
Além disso, Sara afirmou que seguiu todas as orientações repassadas pela equipe médica antes da cirurgia.
“Fiz tudo o que pediram. Ele ficou em jejum desde as 6 horas e foi levado para o centro cirúrgico”, relatou.
Mãe relata 12 tentativas de acesso venoso
De acordo com a mãe, os profissionais anestesiaram o bebê e tentaram realizar o acesso venoso 12 vezes. No entanto, nenhuma tentativa funcionou.
Depois disso, a família recebeu a informação de que o hospital não possuía um cateter neonatal necessário para o procedimento.
Ainda segundo Sara, a situação aumentou a revolta da família, principalmente porque José já passou por um longo tratamento desde o acidente ocorrido após o nascimento.
Hospital afirma que procedimento será reagendado
Em nota, a direção do Hospital Estadual Infantil Nossa Senhora da Glória confirmou a suspensão da cirurgia e informou que abriu uma apuração interna para analisar os fluxos assistenciais e de comunicação relacionados ao caso.
Além disso, o hospital afirmou que a equipe médica interrompeu o procedimento por critérios técnicos e de segurança clínica.
A unidade destacou ainda que os profissionais seguiram protocolos internacionais de segurança do paciente durante todo o atendimento.
Por fim, o hospital informou que já entrou em contato com os familiares para remarcar a cirurgia e prestar esclarecimentos.
Caso do bebê gerou grande repercussão
José nasceu no Hospital Jayme Santos Neves e apresentou temperatura corporal abaixo do ideal logo após o parto.
Segundo relatos da família, uma técnica de enfermagem utilizou um algodão aquecido de maneira inadequada antes de colocá-lo dentro da meia do recém-nascido. Como consequência, o procedimento provocou queimaduras graves no pé esquerdo do bebê.
Depois disso, equipes transferiram a criança para o Hospital Infantil de Vitória.
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) afastou os profissionais envolvidos no caso e, posteriormente, demitiu a técnica de enfermagem apontada na ocorrência.
Além disso, a Polícia Civil indiciou a profissional por lesão corporal culposa, quando não existe intenção de provocar o dano.
Coren-ES abriu processo administrativo
Na época, o Conselho Regional de Enfermagem do Espírito Santo (Coren-ES) informou que o procedimento relatado pela família não faz parte dos protocolos oficiais da enfermagem.
Além disso, o órgão abriu um processo administrativo contra a profissional. Atualmente, o procedimento segue sob sigilo.











