
A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) prendeu um dos principais integrantes do Primeiro Comando de Vitória (PCV) durante a Operação Escobar. A ação ocorreu em conjunto com a Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) e contou, além disso, com apoio do Ministério Público do Espírito Santo (MPES).
Os agentes localizaram José Paulo, conhecido como “Da Pop”, em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. Segundo as investigações, ele vivia na cidade e, ao mesmo tempo, tentava esconder sua atuação criminosa ao manter uma imagem de investidor.
Justiça condenou traficante a mais de 25 anos de prisão
Na segunda quinzena de abril, a Justiça condenou “Da Pop” a 25 anos e três meses de prisão em regime fechado. A decisão partiu da 10ª Vara Criminal de Vitória pelos crimes de organização criminosa e associação para o tráfico de drogas.
Além disso, o Judiciário aumentou a pena por causa da reincidência, da posição de liderança dentro da facção, do uso de armas de fogo pela organização e da ligação comprovada com facções nacionais, como o Comando Vermelho (CV).
De acordo com a sentença, José Paulo exercia papel estratégico dentro da estrutura financeira e operacional do PCV. Conforme o processo, ele articulava o fornecimento de grandes quantidades de drogas vindas de outros estados e, posteriormente, administrava movimentações financeiras ligadas ao tráfico.
Investigações revelaram movimentações milionárias
Durante as investigações, os policiais apreenderam dispositivos eletrônicos que continham uma contabilidade detalhada da organização criminosa. Os materiais revelaram, por exemplo, comprovantes de transferências bancárias milionárias e negociações envolvendo dezenas de quilos de entorpecentes.
Além disso, a sentença aponta que o grupo mantinha uma estrutura organizada para ampliar o poder bélico e financeiro da facção no Espírito Santo.
Histórico de prisões e fuga
Segundo informações das autoridades, José Paulo passou um período foragido em comunidades da periferia do Rio de Janeiro após deixar o sistema prisional capixaba. Em 2024, inclusive, equipes chegaram a tentar capturá-lo, mas ele conseguiu escapar.
Nos últimos anos, “Da Pop” entrou e saiu diversas vezes do sistema prisional do Espírito Santo por meio de alvarás de soltura.
Ele permaneceu preso entre maio e novembro de 2016. Depois, voltou ao sistema prisional em outubro de 2020 e saiu em agosto de 2021. Já em 2022, retornou à prisão em julho e deixou a unidade em setembro do mesmo ano.
Facção mantinha ligação com o Comando Vermelho
A sentença também destacou a ligação considerada “inconteste” entre o PCV, o Comando Vermelho e a chamada “Tropa do BI”. Segundo o processo, os grupos atuavam em parceria para aquisição de armas e drogas.
Além disso, as investigações revelaram que o PCV recebia entorpecentes de estados como São Paulo e Rondônia. Da mesma forma, a facção recebia armamentos e drogas vindos diretamente do Rio de Janeiro, principal base do Comando Vermelho.
Na época investigada, o comando da organização estava sob liderança de Carlos Alberto Furtado, conhecido como “Beto”, atualmente preso no Presídio Federal de Porto Velho, em Rondônia.
Facção usava advogados para transportar mensagens
A sentença detalhou ainda o esquema utilizado pela organização criminosa para manter a comunicação entre líderes presos e integrantes em liberdade.
Segundo o documento, advogados atuavam como “mulas” e “pombos-correio”. Dessa maneira, eles transportavam ordens manuscritas, conhecidas como “catuques”, entre presídios de segurança máxima e membros da facção.
Com isso, a liderança conseguia continuar planejando ações criminosas, negociar armamentos de grosso calibre e, ao mesmo tempo, impor o chamado “domínio do medo” em comunidades.
Outras seis pessoas também foram condenadas no processo.
A defesa de José Paulo não foi localizada até a publicação desta matéria. Mesmo assim, o espaço segue aberto para manifestação.











