
Por Leandro Bettecher
Um sargento do Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo foi preso após faltar ao trabalho por mais de oito dias consecutivos sem apresentar justificativa legal. A ausência caracteriza crime de deserção pela legislação militar. Entretanto, a Justiça determinou que o militar passe por tratamento médico e psicológico.
O bombeiro, que atua há mais de 15 anos na corporação, relatou enfrentar problemas antigos com dependência química. Segundo ele, a recaída envolveu o uso de álcool, cocaína e crack.
A prisão aconteceu no dia 8 de maio. Contudo, o militar deixou a detenção quatro dias depois, após decisão judicial que determinou acompanhamento psicológico e médico imediato.
“Eu já fiquei na rua, muito tempo. Eu quase fui expulso da corporação. Eu me tratei e saí dessa condição. Agora, estou em recaída”, declarou.
Depressão agravou situação
Além da dependência química, o sargento afirmou que enfrenta problemas familiares e um quadro de დეპressão. De acordo com o relato, um exame toxicológico realizado durante processo de promoção identificou uso de cocaína, fato que retirou o militar da lista de acesso ao posto de segundo-sargento.
Ainda segundo ele, o afastamento da filha agravou o estado emocional.
“Tem dois meses que eu não vejo minha filha. Entrei em depressão por causa disso”, afirmou.
Ausência afeta segurança pública
Conforme a legislação militar, a deserção ocorre quando o servidor abandona o posto ou deixa de comparecer ao serviço por mais de oito dias consecutivos sem justificativa legal, como atestado médico.
A advogada Kelly Freire destacou que a ausência de um profissional da segurança pública provoca impacto direto no funcionamento do serviço.
“Ele é um servidor da segurança pública e precisa estar em prontidão. A ausência gera desfalque imediato para a segurança pública”, explicou.
Mais de 7 mil buscaram ajuda no ES
Dados do Governo do Espírito Santo mostram que mais de 7 mil pessoas procuraram ajuda para dependência química na Rede Abraço entre janeiro de 2024 e abril de 2026.
A psiquiatra Letícia Mameri explicou que o vício afeta todas as áreas da vida do paciente.
“A dependência rompe vínculos familiares, profissionais e sociais”, ressaltou.
Corpo de Bombeiros acompanha caso
Em nota, o Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo informou que a Corregedoria realizou a prisão em flagrante do militar pelo crime de deserção. Além disso, a corporação confirmou a abertura de processo administrativo disciplinar demissionário.
O CBMES afirmou ainda que o bombeiro já recebia acompanhamento da Seção de Serviço Social da corporação. Segundo o órgão, o militar também teve acesso a atendimento médico e psicológico durante o período em que permaneceu preso.
Apesar disso, a corporação ressaltou que a continuidade do tratamento depende da adesão voluntária do paciente.











