
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Polícia Federal (PF) lançaram uma ofensiva conjunta para combater a venda ilegal de medicamentos para emagrecer. As autoridades miram, sobretudo, o comércio sem controle em redes sociais das substâncias tirzepatida e semaglutida.
Portanto, a medida responde ao aumento expressivo de produtos falsificados, sem registro ou com procedência duvidosa. Ontem, os órgãos publicaram uma nota técnica que estabelece novos procedimentos integrados de fiscalização. Segundo Daniel Pereira, diretor da Anvisa, essa parceria intensificará o enfrentamento aos crimes sanitários na produção, importação e venda de injetáveis.
Monitoramento de efeitos colaterais e segurança
Além disso, a Anvisa anunciou o Plano de Farmacovigilância Ativa para monitorar proativamente os danos à saúde causados por esses produtos. Anteriormente, a agência dependia apenas de relatos voluntários. Entre 2018 e março de 2026, o sistema registrou 2.965 notificações de eventos adversos, com a semaglutida presente em quase 60% dos casos.
Nesse sentido, a endocrinologista Lusanere Cruz alerta para os perigos das versões manipuladas da tirzepatida. Ela explica que, embora a manipulação seja permitida sob regras estritas, muitos laboratórios não comprovam a similaridade com o produto original. Consequentemente, o paciente pode adquirir uma substância ineficaz ou extremamente perigosa.
Os riscos do mercado paralelo e das importações
O mercado irregular cresceu de forma descontrolada no último ano. Criminosos vendem ampolas em redes sociais e aplicam o produto em locais inadequados, como salões de beleza e clínicas de estética. Contudo, a maioria desses itens não utiliza a caneta original de farmácia, mas sim formulações produzidas em escala industrial ou importadas ilegalmente.
Inclusive, grande parte da tirzepatida ilegal entra no Brasil via Paraguai. Lá, a legislação de patentes é mais flexível, o que permite a fabricação de “similares”. No entanto, esses produtos não possuem garantia de segurança de órgãos como a Anvisa ou o FDA norte-americano. Outro fator crítico é o transporte: a polícia já encontrou medicamentos escondidos em potes de doce de leite e estepes de carros, sem qualquer refrigeração.
Regras para manipulação e perigos à saúde
No Brasil, a lei permite a manipulação apenas para atender necessidades individuais e com dosagens diferentes das comerciais. Ainda assim, muitas farmácias estão produzindo o remédio em larga escala para pronta-entrega, o que é proibido. Médicos reforçam que a produção da tirzepatida exige tecnologia de ponta para evitar impurezas biológicas.
Por fim, o uso de substâncias sem procedência comprovada gera riscos graves, como:
- Reações alérgicas severas;
- Lesões intestinais;
- Aumento nos casos de pancreatite;
- Desenvolvimento de doenças autoimunes.
Dessa forma, as autoridades recomendam que os consumidores adquiram medicamentos apenas em farmácias licenciadas e mediante prescrição médica rigorosa.










