
Um bebê de apenas 1 mês e 11 dias foi internado em estado grave após dar entrada no Pronto Atendimento (PA) de Flexal II, em Cariacica, na Grande Vitória, na noite desta terça-feira (28). A própria mãe, de 27 anos, levou a criança à unidade.
Segundo a Polícia Militar, profissionais de saúde acionaram a equipe após identificarem o quadro crítico. O bebê apresentava desnutrição severa e estado físico extremamente debilitado. Além disso, os médicos relataram dificuldade para acesso venoso, o que indicava risco iminente de morte.
Transferência e estado de saúde
Devido à gravidade do caso, a equipe médica transferiu a criança para o PA de Alto Lage. Em seguida, o bebê foi encaminhado ao Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), onde permanece internado sob cuidados médicos e acompanhamento do serviço social.
Até o momento, não há atualização oficial sobre o estado de saúde.
De acordo com a PM, o bebê apresentava quadro de desnutrição grave, estado caquético e acentuado emagrecimento. Além disso, os policiais identificaram indícios de negligência. Outro fator que chamou atenção foi a ausência de registro civil da criança.
Relato da mãe
A mãe afirmou que não causou prejuízo ao filho. Segundo ela, o estado de saúde do bebê se deve ao fato de a criança ter nascido muito magra. Ela também informou que não amamenta.
Apesar de confirmar que o filho não possui Certidão de Nascimento, a mulher não explicou o motivo. Após ser levada à Delegacia Regional de Cariacica, ela foi ouvida e liberada.
A Polícia Civil informou que a ocorrência segue em andamento. Por isso, ainda não há definição sobre os procedimentos que serão adotados.
Outras crianças em situação de vulnerabilidade
Na manhã desta quarta-feira (29), o Conselho Tutelar foi até a residência da família. No local, encontrou outras duas crianças em situação de vulnerabilidade.
Um menino de 2 anos, irmão do bebê internado, estava na casa. Além disso, uma menina de 10 anos, irmã da mãe, também foi localizada.
Segundo o conselheiro tutelar Marcos Paulo Fonseca, a mãe e a avó tentaram esconder a criança menor, que estava sem roupas. Ainda de acordo com ele, a casa apresentava condições precárias, com sujeira e desorganização.
Diante da situação, o Conselho encaminhou as duas adultas e as crianças para a unidade regional, em Itacibá.
Possível acolhimento
O conselheiro destacou que, caso não seja localizada uma família extensa apta a cuidar das crianças, existe a possibilidade de acolhimento institucional.
Além disso, ele relatou que a mãe não acompanhou o bebê após deixar a delegacia.
“A mãe continua sendo negligente. Ela não foi ao hospital, não buscou informações e não explicou a ausência”, afirmou.
O Conselho Tutelar informou ainda que não havia registros anteriores de denúncias envolvendo a família.
Atuação do Conselho Tutelar
Ainda na noite de terça-feira (28), a Polícia Militar acionou o Conselho Tutelar diversas vezes. No entanto, o órgão informou que não compareceria à unidade naquele momento.
Conselheiras ouvidas explicaram que o papel do Conselho não é substituir os pais no atendimento direto, mas sim articular a rede de proteção.
Segundo elas, o atendimento de saúde era prioridade naquele momento e foi realizado. Posteriormente, o Conselho iniciou o acompanhamento do caso, com aplicação de medidas e monitoramento da situação familiar.
“A proteção integral da criança depende da atuação conjunta de todos os órgãos do sistema de garantia de direitos”, destacaram.










