Uso do FGTS para quitar dívidas divide opiniões e acende alerta

Medida promete aliviar o endividamento no curto prazo, mas levanta dúvidas sobre impactos na proteção financeira do trabalhador no futuro

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- FGTS não pode ser usado para emergências ao preço de deixar o trabalhador desguarnecido. Crédito: Divulgação/Caixa

O aumento do endividamento das famílias brasileiras acendeu um alerta no governo federal, especialmente em um ano eleitoral. Dados da Serasa Experian indicam que a inadimplência segue em alta e que 67% dos trabalhadores conseguem se manter por apenas um mês sem salário. Nesse cenário, o debate sobre o uso do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para quitar dívidas ganhou força.

A proposta de liberar recursos do FGTS surge como alternativa para aliviar o orçamento das famílias no curto prazo. No entanto, especialistas alertam que a medida pode ter efeito limitado se não vier acompanhada de mudanças no comportamento financeiro. Isso porque grande parte dos consumidores volta a se endividar após renegociações.

Endividamento e juros elevados pressionam famílias

O cenário atual combina inflação pressionada, juros elevados e aumento do custo do crédito. Além disso, a taxa Selic mais alta impacta diretamente modalidades como o cartão de crédito rotativo, que supera 400% ao ano, e o cheque especial, que também registra taxas elevadas.

Diante desse contexto, o governo avalia reeditar programas de renegociação, como o Desenrola, com a possibilidade de uso do FGTS. Porém, economistas apontam que a medida não ataca a raiz do problema, que envolve baixa educação financeira e dificuldade de planejamento.

Uso do FGTS levanta preocupação com o futuro

O FGTS, tradicionalmente visto como uma reserva para momentos específicos, como demissão ou aposentadoria, passa a ser utilizado como solução imediata. Por isso, especialistas alertam para o risco de esvaziamento dessa proteção ao longo do tempo.

Estudos indicam que cerca de 70% das pessoas que renegociam dívidas voltam a se endividar em até 12 meses. Ou seja, sem uma reserva de emergência, o alívio financeiro tende a ser temporário.

Educação financeira é apontada como solução

Para analistas, a saída mais eficaz passa pela mudança de hábitos financeiros. Nesse sentido, práticas como controle de gastos, criação de reserva de emergência e priorização de dívidas com juros mais altos ganham destaque.

Além disso, especialistas defendem que o consumo consciente e o planejamento a longo prazo ajudam a reduzir a dependência de medidas emergenciais. Sem essas mudanças, a liberação do FGTS pode funcionar apenas como um alívio momentâneo, sem resolver o problema estrutural do endividamento.

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