
Duas investigações simultâneas reforçaram um alerta já percebido por banhistas: trechos movimentados da orla de Vitória apresentam sinais de poluição. Os levantamentos identificaram presença de esgoto e níveis elevados de bactérias na região da Guarderia e na Ilha do Frade.
De um lado, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-ES) apontou lançamento irregular de esgoto e falhas na fiscalização. Ao mesmo tempo, uma força-tarefa do Ministério Público Estadual detectou índices preocupantes de contaminação no mar.
Diante desse cenário, o TCE determinou uma série de medidas às secretarias municipais de Meio Ambiente e de Obras. A decisão foi publicada nesta quarta-feira (8) e tem relatoria do conselheiro Carlos Ranna.
Fiscalização identifica falhas e origem de efluentes
A apuração ganhou força após uma inspeção realizada em fevereiro, no canteiro de obras da Estação de Bombeamento de Águas Pluviais, na Praça dos Namorados. Durante a visita, auditores analisaram o lançamento de efluentes, que provocaram uma mancha escura no mar.
Além disso, a equipe vistoriou pontos de drenagem por onde ocorre o escoamento da água pluvial. Em seguida, os técnicos solicitaram documentos complementares para aprofundar a análise.
Medidas exigem ação imediata da prefeitura
Entre as determinações, o TCE exigiu que a Secretaria de Meio Ambiente realize, de forma imediata, coletas e análises sempre que houver suspeita de contaminação. O objetivo é identificar as origens da poluição e responsabilizar os envolvidos.
Por outro lado, a Secretaria de Obras deverá controlar com mais rigor os efluentes gerados durante intervenções, especialmente no rebaixamento do lençol freático. O órgão também terá que exigir soluções como caixas de decantação para evitar que resíduos cheguem ao sistema de drenagem.
Além disso, o tribunal determinou a fiscalização do cumprimento de condicionantes ambientais e a exigência de autorizações da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh).
Imóveis irregulares entram no foco
Outro ponto importante envolve imóveis sem ligação à rede de esgoto. O TCE determinou que a Secretaria de Meio Ambiente notifique, em até 180 dias, proprietários nos bairros Praia do Canto, Enseada do Suá e Santa Helena.
Caso a regularização não ocorra dentro do prazo, a Cesan poderá realizar a conexão e cobrar os custos dos responsáveis, conforme prevê o Marco Legal do Saneamento.
Enquanto isso, os gestores das secretarias e o consórcio responsável pela obra terão 30 dias para apresentar justificativas sobre as irregularidades apontadas.
Prefeitura aponta causas externas
Durante a visita técnica, representantes da prefeitura afirmaram que a obra busca modernizar o sistema de bombeamento e reduzir alagamentos. Segundo eles, as estruturas também controlam a entrada da maré nas galerias.
Além disso, o município destacou que realiza monitoramento constante e segue diretrizes ambientais. A previsão é concluir a obra até junho de 2026.
A administração também argumentou que parte da poluição vem de outros municípios. De acordo com a prefeitura, o Canal de Camburi e o Rio Santa Maria da Vitória transportam esgoto, lixo e resíduos industriais para a baía.
Cesan cobra regularização
Por fim, a Cesan informou que mantém um projeto conjunto com o Ministério Público e prefeituras para ampliar a regularização do esgoto. Até agora, foram emitidas 2.559 notificações.
No entanto, apenas 255 imóveis se conectaram à rede. Segundo a companhia, as fiscalizações continuam e os proprietários que não se adequarem poderão sofrer penalidades.











