
Uma operação do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) desarticulou um grupo suspeito de atuar em favor de uma facção criminosa na região da Grande Terra Vermelha, em Vila Velha. Ao todo, a terceira fase da Operação Telic resultou na prisão de nove pessoas.
A ação começou na tarde de quarta-feira (25) e seguiu até a manhã desta quinta-feira (26). Além disso, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) coordenou os trabalhos. Entre os presos, estão três advogados e três guardas municipais.
Esquema envolvia agentes públicos
Entre os principais alvos, os investigadores identificaram Iuri Souza Silva, ex-comandante da Guarda Municipal de Vila Velha. Segundo o MPES, ele atua como peça-chave no esquema e apresenta indícios de envolvimento direto com a organização criminosa.
Além disso, as equipes prenderam os guardas municipais Antônio Nélio Jubini e Renato Messias. De acordo com as investigações, eles utilizavam suas funções para beneficiar traficantes. Com isso, repassavam informações privilegiadas sobre operações policiais.
Ainda segundo o Ministério Público, os agentes simulavam colaboração com as forças de segurança. No entanto, na prática, eles alertavam criminosos sobre ações policiais.
As apurações também indicam que os guardas participaram diretamente do tráfico de drogas. Por exemplo, eles teriam revendido entorpecentes apreendidos e desviado dinheiro ligado à atividade criminosa.

Advogados são suspeitos de intermediar comunicação
No núcleo jurídico, os investigadores prenderam três advogados. Entre eles, está Bárbara Bastos, que, segundo o MPES, facilitava a comunicação entre lideranças presas e integrantes em liberdade.
Além dela, os agentes localizaram e prenderam o advogado Wesley Guedes, em Cariacica. No local, eles encontraram documentos com supostas mensagens de traficantes presos.
Outro alvo, Arlis Schmdit, também foi preso. Segundo o Gaeco, ele intermediava orientações sobre a gestão do tráfico na região 5 de Vila Velha.
De acordo com o MPES, os envolvidos utilizavam bilhetes conhecidos como “catuques”. Dessa forma, conseguiam manter a comunicação durante visitas.
Outros envolvidos e crimes investigados
Além dos agentes públicos e advogados, os policiais prenderam outras três pessoas: Driele Ferreira, Kaio Salles Bastos e Washington Luiz Machado Junior.
Segundo as investigações, o grupo atuava de forma estruturada para fortalecer a facção criminosa. Entre os crimes apurados, estão tráfico de drogas, organização criminosa, porte ilegal de armas, corrupção e vazamento de informações sigilosas.
O caso segue sob sigilo. Enquanto isso, o MPES mantém as investigações. Assim, o órgão busca identificar novos envolvidos e detalhar a participação de cada suspeito.
O que dizem os órgãos
A Guarda Municipal de Vila Velha informou que acompanha o caso por meio da Corregedoria. Além disso, a corporação afirmou que irá colaborar com as investigações.
Já a Ordem dos Advogados do Brasil no Espírito Santo (OAB-ES) declarou que acompanha a operação. Segundo a entidade, o objetivo é garantir o respeito às prerrogativas da advocacia e ao Estado Democrático de Direito.
Por fim, a reportagem tenta contato com as defesas dos investigados. Até o momento, no entanto, não houve retorno.
Fonte: Folha Vitória

