
A Justiça do Espírito Santo decidiu levar a júri popular a ex-secretária Bruna Garcia Barbosa Marinho, acusada de tentar matar o cardiologista Victor Murad, de 90 anos, em Vitória. A decisão foi proferida pela Comarca da capital.
Ela responderá por tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe, uso de meio insidioso e cruel, além de recurso que dificultou a defesa da vítima. O caso também considera o fato de a vítima ter mais de 60 anos.
Relação de confiança marcou o caso
Bruna trabalhou por cerca de 12 anos na clínica do médico, localizada na Praia do Canto. Durante esse período, ela exercia funções de confiança, como controle financeiro e até o preparo da alimentação do cardiologista.
Segundo as investigações, ela teria se aproveitado dessa proximidade para cometer o crime. Além disso, o marido dela, Alysson Marinho, também aparece como suspeito de participação.
Envenenamento teria ocorrido por meses
De acordo com a apuração, o casal teria administrado doses de arsênio ao longo de aproximadamente um ano e meio. Além disso, a investigação aponta o desvio de cerca de R$ 600 mil da clínica.
O médico relatou que ainda enfrenta consequências do envenenamento.
“Estou me recuperando devagar. O estrago que o arsênio causou não tem recuperação imediata”, afirmou em entrevista.
Vítima relata traição
Victor Murad também destacou a relação próxima com a ex-secretária.
“Era como uma filha para mim. Eu a tratava assim e ela me traiu. Foi uma covardia”, declarou.
Defesa nega acusações
Durante o processo, Bruna negou qualquer participação no crime. Segundo ela, a compra do óxido de arsênio ocorreu a pedido da esposa do médico.
No entanto, o advogado da vítima contestou essa versão.
Julgamento será pelo tribunal do júri
Com a decisão, o caso seguirá para julgamento pelo Tribunal do Júri, responsável por analisar crimes dolosos contra a vida.

