
A Operação Fisco Paralelo, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo nesta quinta-feira (26/3), revelou um esquema bilionário de corrupção na Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. A investigação aponta a participação de grandes empresas, como Carrefour, Casas Bahia, Caoa, Ipiranga e Kalunga.
Esquema bilionário de fraude fiscal
De acordo com o MPSP, o grupo estruturou um sistema para manipular procedimentos fiscais. Dessa forma, os envolvidos conseguiam ressarcimentos indevidos de ICMS-ST e liberavam créditos acumulados de ICMS.
Além disso, há indícios de pagamento de propina e lavagem de dinheiro. Assim, o esquema teria movimentado valores bilionários ao longo dos anos.
Envolvimento do Grupo Caoa
Entre os citados, o Grupo Caoa aparece como um dos principais casos investigados. Segundo as apurações, o agente fiscal Denis Kobama Yonamine repassou dados e solicitou estudos para viabilizar ressarcimentos milionários.
Além disso, planilhas apreendidas indicam a possibilidade de quase R$ 72 milhões em créditos. Para isso, os investigados teriam utilizado contratos para ocultar a participação de fiscais no esquema.
Center Castilho e outras empresas
Outra empresa investigada é a Center Castilho, do setor de materiais de construção. De acordo com a investigação, o grupo poderia obter mais de R$ 37 milhões por meio de ressarcimentos fraudulentos.
Além disso, os investigadores apontam pagamento de propina a auditores por meio de empresas de fachada. Enquanto isso, o nome de operadores do esquema também aparece ligado a outras companhias, como a Ipiranga.
Casas Bahia e mensagens interceptadas
A Casas Bahia também aparece nas investigações. Mensagens interceptadas mostram pedidos de liberação de valores e discussões sobre ressarcimentos.
Em um dos diálogos, um dos investigados minimiza os riscos da operação, o que reforça as suspeitas do Ministério Público.
Kalunga e pagamentos milionários
As apurações indicam que a Kalunga teria obtido cerca de R$ 37 milhões por meio do esquema. Segundo os promotores, executivos mantinham contato frequente com os envolvidos para acelerar os processos.
Além disso, foram identificados encontros presenciais e trocas constantes de mensagens. Ao todo, seis pagamentos milionários foram homologados em favor da empresa.
Carrefour e Ambev citadas
Uma executiva do Carrefour foi alvo de buscas. De acordo com a investigação, houve contato direto com fiscais suspeitos para agilizar ressarcimentos.
Por outro lado, a Ambev aparece como compradora de créditos, avaliados em cerca de R$ 8 milhões. A empresa afirmou que seguiu a legislação vigente.
Operação e apreensões
Durante a operação, autoridades apreenderam dinheiro em espécie, celulares, computadores e documentos em cidades como Campinas e São José dos Campos.
Além disso, um inspetor fiscal foi preso preventivamente, o que reforça a gravidade do caso.
Ligação com a Operação Ícaro
A Operação Fisco Paralelo é um desdobramento da Operação Ícaro, realizada anteriormente pelo MPSP.
Na ocasião, autoridades prenderam empresários e auditores fiscais suspeitos de envolvimento em fraudes semelhantes. Entre eles, estava o empresário Sidney Oliveira.
Investigações continuam
Por fim, a Secretaria da Fazenda de São Paulo informou que colabora com as investigações. Além disso, abriu dezenas de procedimentos administrativos para apurar possíveis irregularidades.
Assim, o caso segue em andamento e pode ter novos desdobramentos nos próximos meses.

