
Estudantes da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) lideram projetos que buscam ampliar a presença feminina nas áreas de tecnologia e inovação. As iniciativas apostam em formação, incentivo e representatividade para aproximar meninas e mulheres do universo da programação e das carreiras científicas. Entre os destaques estão o Gênero, Inclusão, Resiliência e Liderança em STEM (GIRLS) e o CodeGatas.
Ufes amplia debate sobre inclusão na tecnologia
As ações surgiram em diferentes campi da universidade, mas seguem o mesmo objetivo: reduzir a desigualdade de gênero em áreas historicamente marcadas pela baixa presença feminina. Além disso, os projetos fortalecem redes de apoio e estimulam novas trajetórias acadêmicas e profissionais.
Projeto GIRLS aposta em acolhimento e pesquisa
O projeto GIRLS é coordenado pela professora Camila Zacche, do Departamento de Informática do campus de Goiabeiras, em Vitória. A iniciativa promove inclusão e desenvolvimento de habilidades tecnológicas entre estudantes. Ao mesmo tempo, integra ensino, pesquisa e extensão para transformar o conhecimento acadêmico em ações de impacto social.
Segundo a coordenação, o grupo também produz e analisa dados sobre a participação feminina nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM). Atualmente, embora as mulheres representem mais de 60% dos concluintes de graduação no Brasil, pouco mais de 20% se formam nessas áreas. Nos cursos de Computação, esse percentual é ainda menor.
O projeto nasceu a partir de experiências vividas por professoras em ambientes predominantemente masculinos. Por isso, busca enfrentar problemas como falta de representatividade, microagressões e ausência de redes de apoio.
LabGIRLS cria espaço de convivência e troca
Uma das principais frentes do GIRLS é o LabGIRLS, ambiente voltado ao acolhimento, à convivência e à troca de experiências entre alunas, professoras e técnicas de diferentes cursos do Centro Tecnológico.
Além disso, o laboratório desenvolve ações com escolas públicas. Dessa forma, orienta estudantes que desejam seguir carreiras nas áreas científicas e tecnológicas e amplia o contato de meninas com o universo da inovação.
CodeGatas fortalece protagonismo feminino em Alegre
No campus de Alegre, o CodeGatas atua sob coordenação da professora Juliana Pirovani, no Departamento de Computação do Centro de Ciências Exatas, Naturais e da Saúde (CCENS). O projeto incentiva a participação feminina na programação e em outras áreas da computação.
Criada em 2022, a iniciativa já alcançou cerca de 200 meninas na região do Caparaó capixaba. Atualmente, 17 estudantes da Ufes participam diretamente das ações de extensão, pesquisa, produção de materiais e acolhimento a alunas ingressantes.
Projeto ajuda a quebrar estereótipos
De acordo com a coordenação, as mulheres representam cerca de 15% das matrículas nos cursos de Ciência da Computação e Sistemas de Informação. Por isso, o CodeGatas atua para quebrar estereótipos e incentivar mais meninas a considerar carreiras na tecnologia.
Em alguns casos, o impacto aparece já no ingresso à universidade. Uma aluna, por exemplo, relatou que conheceu o projeto pelas redes sociais e que a existência de um grupo de apoio para mulheres foi um dos fatores que influenciaram sua escolha pela Ufes.
Produção acadêmica também ganha força
As atividades do grupo também impulsionam pesquisas sobre a participação feminina na tecnologia. Um exemplo é o Trabalho de Conclusão de Curso da estudante Rayssa Brenda Silva, intitulado “Mulheres na Tecnologia: Barreiras, Representatividade e o Papel do Projeto CodeGatas”.
Assim, os projetos desenvolvidos na Ufes reforçam o papel da universidade na promoção da inclusão, da diversidade e da formação de novas lideranças femininas no setor tecnológico.

