
O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e o Ministério Público Federal (MPF) definiram prazo de 45 dias para que órgãos responsáveis apresentem soluções estruturais sobre a mancha escura no litoral de Vitória. O grupo de trabalho debateu o caso em reunião realizada nesta quinta-feira (19).
Coletas e análises começam neste sábado
Durante as próximas cinco semanas, equipes técnicas vão coletar amostras e realizar análises laboratoriais. O objetivo é avaliar a balneabilidade da água e identificar possíveis contaminantes. As primeiras coletas ocorrerão neste sábado (21), pela manhã, na região da Guarderia.
Além disso, os especialistas vão comparar os resultados obtidos em diferentes pontos da Baía de Vitória. Dessa forma, os dados poderão orientar novas medidas para melhorar a qualidade ambiental marinha. Os órgãos envolvidos apresentarão as conclusões em reunião marcada para o dia 23 de abril.
Investigação reúne instituições
A apuração envolve a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) e a Prefeitura de Vitória. O trabalho abrange toda a Baía de Vitória e bacias da Região Metropolitana. Segundo o MPES, caso identifiquem irregularidades, as autoridades irão responsabilizar os envolvidos.
A mancha surgiu no fim de janeiro, nas proximidades da Praia do Canto e da ponte da Ilha do Frade. Por isso, o Ministério Público solicitou explicações à Prefeitura de Vitória, à Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) e à Agência de Regulação de Serviços Públicos (Arsp).
Prefeitura e Cesan apresentam versões
A Prefeitura de Vitória afirma que a água lançada no mar vem do lençol freático retirado durante obras de macrodrenagem. Conforme a gestão municipal, trata-se de água salobra bombeada para permitir a execução das intervenções. Além disso, o município informa que realiza monitoramento constante para evitar a expansão da mancha.
Por outro lado, a Cesan nega relação do fenômeno com o sistema de coleta e tratamento de esgoto. A companhia aponta como possível causa uma tubulação de drenagem pluvial que conduz a água da chuva até o mar.
Laudo aponta risco à saúde
Apesar das explicações, um laudo solicitado por vereadores e elaborado pelo laboratório Tomasi Ambiental identificou concentração de coliformes fecais 43 vezes acima do limite permitido. Segundo o oceanógrafo Nélio Augusto Secchin, esses níveis indicam risco de exposição a microrganismos capazes de causar doenças.
