
A possibilidade de delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ganhou força após sua prisão na terceira fase da Operação Compliance Zero, na última semana. O Metrópoles apurou que a discussão sobre um eventual acordo só deve ocorrer depois que a Polícia Federal extrair os dados de todos os celulares apreendidos. A PF quer entender completamente a dimensão do caso e os envolvidos. Durante a prisão em São Paulo, na quarta-feira (4/3), os investigadores recolheram mais três celulares de Vorcaro, somando oito aparelhos que ainda passarão por perícia.
A colaboração premiada pode ser firmada diretamente com a Polícia Federal, sem necessidade de envolvimento da Procuradoria-Geral da República (PGR). A Lei das Organizações Criminosas permite que tanto delegados quanto o Ministério Público celebrem esse tipo de acordo.
O advogado criminalista Paulo Suzano explica: “Embora não seja comum, a lei permite que o delegado formalize a delação. Tudo depende das particularidades de cada caso. O de Vorcaro é muito singular, e um alto grau de complexidade como esse exige soluções inéditas.”
O interesse na delação aumentou após o vazamento de mensagens que mostram a proximidade de Vorcaro com autoridades. Para colaborar, ele precisará apresentar provas substanciais e indicar pessoas que exerçam poder acima do seu na organização criminosa. Com isso, o empresário pode reduzir sua pena em até dois terços ou até receber perdão das autoridades.
Suzano ressalta: “A colaboração só ocorre se o delator contribuir efetivamente com a investigação, inclusive entregando alguém com mais poder na organização.”
A defesa de Vorcaro disse que não tem informações sobre a intenção do empresário de firmar o acordo de delação.
Relações com autoridades
As primeiras análises nos celulares de Vorcaro mostram que ele mantinha contato próximo com autoridades dos Três Poderes. Um dos nomes citados é o do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Em 17 de novembro, dia de sua primeira prisão, Vorcaro teria enviado uma mensagem ao magistrado perguntando se ele tinha conseguido “bloquear” algo. O teor exato da conversa permanece desconhecido, pois as mensagens de visualização única desaparecem após serem abertas. Moraes negou ser o destinatário das mensagens que mencionam o Master, afirmando que os prints divulgados correspondem a outros contatos do empresário.
Após a divulgação, o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, abriu inquérito para investigar o vazamento dos dados do celular de Vorcaro.
Na semana passada, a Polícia Federal prendeu Vorcaro novamente durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga a venda de carteiras de créditos fraudulentas ao Banco de Brasília (BRB). Ele está detido na Penitenciária Federal de Brasília, um dos cinco presídios de segurança máxima do país.
