
Um adolescente de 16 anos foi forçado por colegas a comer ao menos sete pedaços de bolo dentro de uma escola estadual em Fortaleza, no Ceará. O caso ganhou repercussão porque o jovem convive com a Síndrome de Prader-Willi (SPW), uma condição genética rara que provoca fome constante, atraso no desenvolvimento e alterações hormonais.
O episódio ocorreu na Escola Estadual CAIC Raimundo Gomes de Carvalho, no bairro Dom Lustosa. Além disso, colegas também filmaram o adolescente enquanto ele usava o banheiro da escola. As imagens circularam nas redes sociais e geraram indignação.
A Secretaria da Educação do Ceará (Seduc) repudiou o episódio e informou que prestou apoio à família da vítima. Além disso, a pasta afirmou que acompanha o caso.
O que é a Síndrome de Prader-Willi
A Síndrome de Prader-Willi (SPW) é uma doença genética causada por uma alteração no cromossomo 15. Geralmente, essa alteração ocorre por perda de material genético herdado do pai. Por isso, áreas do cérebro responsáveis por controlar o apetite, o crescimento e o desenvolvimento físico acabam comprometidas.
Segundo a Associação Brasileira da Síndrome de Prader-Willi, a condição ocorre em aproximadamente 1 a cada 15 mil nascimentos. Além disso, a síndrome surge de forma aleatória e raramente se repete na mesma família.
Entre as principais características da síndrome estão:
- fraqueza muscular (hipotonia);
- atraso no desenvolvimento motor e cognitivo;
- fome constante e compulsão por alimentos;
- ganho de peso precoce;
- dificuldades de aprendizagem;
- baixa estatura e alterações hormonais.
Além disso, especialistas observam outros sinais, como mãos e pés pequenos, boca pequena com lábio superior fino, olhos amendoados e diminuição da sensibilidade à dor. Em alguns casos, também podem surgir problemas de visão, como estrabismo.
Diagnóstico e tratamento
Especialistas realizam o diagnóstico por meio de testes genéticos, principalmente pelo exame de metilação do DNA. Depois disso, médicos indicam acompanhamento multidisciplinar para controlar os sintomas e prevenir complicações.
Segundo a associação que acompanha a doença, o tratamento com hormônio do crescimento (GH) apresenta bons resultados. Além disso, especialistas destacam que iniciar a terapia o mais cedo possível melhora o desenvolvimento e a qualidade de vida dos pacientes.
Jovem já tinha diagnóstico
Familiares informaram que o adolescente envolvido no episódio de bullying recebeu o diagnóstico da síndrome ainda na infância. Desde então, ele realiza acompanhamento médico especializado.
Caso será investigado
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) informou que o Grupo de Segurança Escolar (GSE), ligado à Polícia Militar, enviou uma equipe até a escola após tomar conhecimento do caso.
Agora, a Polícia Civil conduz a investigação para esclarecer as circunstâncias do episódio. Além disso, as autoridades orientaram que familiares da vítima procurem uma unidade policial para fornecer mais informações sobre o ocorrido.
