Profissionais liberais são presos em operação contra tráfico de fuzis entre ES, RJ e MG

Grupo formado por profissionais sem antecedentes usava empresas de fachada e criptomoedas para movimentar dinheiro do tráfico e abastecer rota de fuzis no Sudeste

- Um videomaker, uma publicitária, uma cozinheira e um mecânico foram presos no Espírito Santo em operação contra tráfico de fuzis. — Foto: Reprodução

Uma publicitária, um videomaker, uma cozinheira e um mecânico foram presos nesta quinta-feira (26) durante a operação “Fim da Rota”, que desarticulou um núcleo da facção Terceiro Comando Puro (TCP) envolvido no tráfico interestadual de armas e drogas entre Espírito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

A ação ocorreu em Cariacica, Serra e também no município de Montanha, no Norte do Estado. Ao todo, seis pessoas foram presas no Espírito Santo. Doze policiais civis do Rio de Janeiro participaram da operação em território capixaba, em parceria com as polícias civis do ES e de MG.

Investigação

As investigações começaram em 2023, após a prisão de um traficante que transportava armas do Complexo da Maré, no Rio, para Cariacica. A partir dessa prisão, os investigadores ampliaram o foco e passaram a rastrear a movimentação financeira do grupo.

Conforme a apuração policial, os suspeitos atuavam principalmente no transporte de fuzis entre os três estados. Além disso, o grupo utilizava empresas de fachada e “laranjas” para lavar dinheiro do tráfico. Em alguns casos, os investigados recorreram até a criptomoedas para dificultar o rastreamento das transações.

Segundo o delegado Vinícius Miranda, da Delegacia de Combate a Crimes Organizados e Lavagem de Dinheiro do Rio, o trabalho financeiro revelou um perfil incomum entre os envolvidos. “Identificamos pessoas sem histórico criminal e sem vínculo aparente com a facção. São indivíduos que vivem fora de comunidades, muitos de classe média, mas que participavam do transporte ilícito de armas e drogas”, afirmou.

Estrutura da facção

A principal suspeita é de que o chefe do núcleo coordenava as ações de dentro do Complexo da Maré. Ainda de acordo com a polícia, os fuzis saíam de diferentes comunidades do Rio de Janeiro e seguiam para outros estados, especialmente o Espírito Santo.

Com a operação, a polícia busca enfraquecer a rota interestadual utilizada pelo grupo e interromper o fluxo de armas de alto poder de fogo na região Sudeste.

As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e aprofundar o rastreamento do dinheiro movimentado pela organização criminosa.