
O surgimento de um novo método estético, denominado AlloClae, acendeu um alerta entre especialistas e órgãos de fiscalização médica nesta semana. A técnica utiliza tecido adiposo retirado de doadores falecidos para realizar contornos corporais e faciais em pacientes vivos. Além disso, o procedimento, que ganha popularidade nos Estados Unidos, já desperta debates sobre segurança e ética em território brasileiro.
Riscos e falta de evidências científicas
De acordo com o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), o uso de gordura de cadáver carece de estudos científicos robustos que comprovem sua eficácia e segurança. Nesse sentido, os médicos alertam para complicações graves, como reações inflamatórias crônicas, formação de nódulos e até riscos de embolia. Consequentemente, a aplicação do material pode gerar danos irreversíveis, uma vez que o corpo pode rejeitar o tecido biológico estranho.
Dificuldade de reversão em casos de erro
Por outro lado, a principal preocupação dos cirurgiões plásticos reside na dificuldade de tratar as intercorrências. Segundo os especialistas, ao contrário do ácido hialurônico, que possui uma enzima capaz de dissolvê-lo, a gordura enxertada exige intervenção cirúrgica invasiva para ser removida. Ademais, a falta de padronização nos processos de limpeza e esterilização do material aumenta as chances de infecções oportunistas nos pacientes submetidos à técnica.
Dilema ético e comercialização
Em virtude da alta demanda por harmonização e preenchimentos, clínicas de estética buscam alternativas para pacientes que não possuem gordura própria suficiente para enxerto. Enquanto o mercado americano avança na comercialização desse tecido processado, as autoridades brasileiras reforçam que a prática não possui autorização dos órgãos competentes no país. Em suma, a comunidade médica recomenda cautela e desencoraja o uso de substâncias que ainda não passaram pelo rigoroso crivo da ciência nacional.
