Câncer de pênis avança no Brasil e tabu atrasa diagnóstico

Especialistas alertam que falta de informação e vergonha impedem homens de procurar atendimento precoce; doença é altamente evitável

- Imagem ilustrada e gerada por IA.

O Brasil está entre os países com mais casos de câncer de pênis no mundo. Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) mostram que o tumor representa cerca de 2% de todos os tipos de câncer diagnosticados em homens no país. Apesar disso, médicos reforçam que a doença é, na maioria das vezes, evitável.

Em vez de fatores genéticos, o câncer de pênis se relaciona principalmente à falta de informação, higiene íntima inadequada e demora na busca por atendimento médico. Ainda assim, muitos homens ignoram sinais iniciais por vergonha ou medo de julgamento.

“Muitos pacientes sentem receio de ter a masculinidade questionada. Por isso, banalizam sintomas e adiam a consulta. Esse atraso é determinante para o diagnóstico em fases mais avançadas”, explica o oncologista Fernando Vidigal, do Hospital Brasília.

Cultura e silêncio

Enquanto as mulheres costumam manter consultas ginecológicas regulares, os homens raramente procuram acompanhamento preventivo. Consequentemente, deixam de realizar autoexames ou de discutir dúvidas sobre higiene íntima e saúde sexual.

“O homem, de modo geral, não conversa sobre o assunto, não tem o hábito de ir ao médico regularmente e muitas vezes não sabe como fazer a higiene correta ou identificar alterações suspeitas”, afirma o uro-oncologista Ariê Carneiro, do Hospital Israelita Albert Einstein.

Sem vigilância adequada, a doença pode evoluir rapidamente. Em casos avançados, o tratamento pode exigir cirurgia com remoção parcial ou até total do órgão.


Principais sintomas

Especialistas orientam que qualquer alteração persistente deve ser investigada. Entre os sinais mais comuns estão:

  • Feridas ou úlceras que não cicatrizam
  • Caroços ou verrugas na região
  • Alteração na cor ou espessamento da pele
  • Secreção com odor desagradável sob o prepúcio
  • Pequenos sangramentos
  • Dor ou coceira persistente

“Lesões podem indicar infecção por HPV ou até um tumor inicial. Portanto, se não houver melhora, é essencial procurar um especialista”, alerta Carneiro.


Fatores de risco evitáveis

A maior parte dos fatores associados ao câncer de pênis pode ser controlada com medidas simples. Entre eles:

  • Higiene íntima inadequada, especialmente em homens não circuncidados
  • Infecção pelo HPV
  • Tabagismo
  • Fimose sem tratamento
  • Falta de acompanhamento médico regular

“Uma higiene adequada com água e sabão já reduz significativamente o risco. Além disso, a prevenção do HPV e a procura precoce por atendimento fazem toda a diferença”, destaca o oncologista Gustavo Ribas, da Rede D’Or.

Segundo especialistas, a região Nordeste concentra maior incidência da doença. Nesse contexto, fatores socioeconômicos e dificuldade de acesso à informação também influenciam os números.


Diagnóstico precoce salva

Quando identificado no início, o câncer de pênis pode ser tratado com procedimentos conservadores, como pequenas cirurgias ou terapias locais. Assim, o paciente preserva o órgão e mantém qualidade de vida.

Por outro lado, quando o diagnóstico ocorre tardiamente, aumentam as chances de cirurgias mutiladoras. Além do impacto físico, essas intervenções afetam diretamente a autoestima e a saúde mental.

“Falar sobre o tema com naturalidade, incentivar o autocuidado e combater o preconceito são atitudes fundamentais para reduzir casos avançados”, reforça Vidigal.


A importância do autocuidado

Homens devem observar qualquer alteração na região íntima e manter hábitos simples de prevenção. Afinal, informação e atenção aos sinais do corpo são as principais armas contra a doença.