Espírito Santo registra mais de 80 casos de violência contra a mulher por dia no carnaval

Levantamento da Sesp aponta alta de 26,1% nas denúncias durante a folia; Estado contabilizou 424 registros em cinco dias

- Imagem ilustrada e gerada por IA.

Enquanto milhares de capixabas aproveitaram blocos e trios elétricos, 424 mulheres denunciaram violência doméstica no Espírito Santo durante o carnaval de 2026. O número representa aumento de 26,1% em relação ao mesmo período de 2025, quando houve 336 registros. Na prática, a média chegou a 84 casos por dia — ou três por hora.

O levantamento da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) considera o intervalo entre 18h da sexta-feira (13) e 18h da Quarta-feira de Cinzas (18). Além disso, os dados revelam crescimento nos pedidos de medidas protetivas: foram 204 solicitações neste ano, contra 186 no carnaval anterior.

Denúncias crescem

Apesar da alta nos registros, o Estado não confirmou feminicídios durante o período, repetindo o cenário de 2025. Ainda assim, houve caso grave em São Domingos do Norte, onde um homem acabou autuado por dupla tentativa de feminicídio após atacar a esposa e a filha de 14 anos.

Para a delegada Michele Meira, gerente de Proteção à Mulher da Sesp, o aumento das denúncias indica que mais vítimas buscam ajuda logo nos primeiros sinais de agressão.

Segundo ela, muitas mulheres passaram a reconhecer que ameaças e desrespeitos podem evoluir para violência mais grave. Por isso, procuram apoio antes que a situação se agrave.

A delegada orienta que, mesmo quando a vítima não se sente pronta para registrar ocorrência imediata, deve procurar suporte em serviços municipais ou estaduais. “O importante é sair da invisibilidade da violência para se proteger”, reforça.

Dados do ano preocupam

Ao longo de 2026, até 31 de janeiro, o Observatório da Segurança da Sesp já contabilizou 2.549 casos de violência doméstica no Espírito Santo. Além disso, dois feminicídios foram registrados: um em Cachoeiro de Itapemirim e outro na Serra.

Os números reforçam a necessidade de políticas públicas permanentes, especialmente em períodos festivos, quando o consumo de álcool e a exposição social aumentam.

Outros indicadores do carnaval

Enquanto a violência contra a mulher cresceu, os crimes contra o patrimônio apresentaram queda na maioria dos indicadores:

  • Furtos e roubos a pessoas: de 196 para 188 casos
  • Furtos e roubos em residências: de 38 para 34
  • Furtos e roubos em comércio: de 48 para 37
  • Furtos e roubos de veículos: de 98 para 69

Por outro lado, os furtos e roubos de celulares aumentaram 8%, passando de 233 para 252 registros. Esse foi o crime mais comum durante a folia.

Além disso, os homicídios dolosos subiram 75%, saltando de 8 para 14 casos. No entanto, nenhuma dessas ocorrências aconteceu em áreas oficiais de festas de carnaval.