Pré-candidato ao governo do estado, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), confirmou nesta quinta-feira (19/2) a escolha da advogada Jane Reis (MDB) como sua candidata a vice-governadora.A definição ocorreu após o MDB fluminense decidir apoiar a candidatura de Paes ao Palácio Guanabara. Além disso, aliados do prefeito já defendiam a indicação de um partido de centro para compor a chapa.
O evento que oficializou a aliança reuniu, além de Eduardo Paes, lideranças nacionais da sigla, como o presidente Baleia Rossi e o ministro das Cidades, Jader Filho, bem como representantes de outros partidos, entre eles Washington Quaquá (PT). Jane Reis assumirá a vaga por indicação do presidente do MDB no Rio de Janeiro, Washington Reis, que também é seu irmão. A família da advogada mantém forte atuação política na Baixada Fluminense. Trata-se do segundo maior colégio eleitoral do estado e, portanto, área estratégica na disputa.
Além de Washington, ex-prefeito de Duque de Caxias, Jane é irmã do deputado estadual Rosenverg Reis e do deputado federal Gutemberg Reis. Do mesmo modo, o atual prefeito de Caxias, Netinho Reis, é seu sobrinho, o que reforça o peso político da família na região.
Em seu discurso, Paes afirmou que construiu o apoio do MDB a partir do entendimento de que o momento político exige união. “É uma demonstração da amplitude daquilo que a gente quer construir. As pessoas começaram a confundir, no Rio de Janeiro, política com associação para outros fins”, declarou. Assim, segundo aliados, a aliança amplia o arco de sustentação do projeto ao governo estadual.
Além disso, interlocutores de Paes avaliam que a escolha de Jane aproxima o prefeito da Baixada Fluminense. Ao mesmo tempo, reorganiza o cenário do campo bolsonarista no estado, que tinha Washington Reis como um de seus aliados. Consequentemente, a movimentação pode alterar a configuração das alianças adversárias.
Paralelamente, aliados destacam que a aproximação com a família Reis também pode facilitar o diálogo com o eleitorado evangélico. Jane é casada com o pastor Rafael Corato, da Igreja Assembleia de Deus, e, em sua fala, fez referência à fé e ao legado familiar. “Com essa minha história e esse legado político que construí ao lado da minha família em Duque de Caxias, entro nesse projeto com muita força, com muita garra e coragem”, afirmou.
O apoio do MDB à chapa liderada por Paes também levou Washington Reis a retirar seu nome da disputa ao governo. Pesou na decisão, sobretudo, a demora na análise de um recurso no Supremo Tribunal Federal (STF), que pode torná-lo inelegível por condenação relacionada a crime ambiental. Ainda assim, Paes elogiou o aliado e destacou a parceria construída ao longo de diversas eleições.
“Retirei minha candidatura por causa do processo e estamos com prazo apertado para montar nossa nominata. Eduardo me procurou e, como sempre tivemos boa relação, entendemos que o melhor caminho seria o apoio mútuo”, explicou Washington Reis.
Segundo ele, Paes já sinalizava preferência por um nome feminino na vice. Embora o MDB tenha considerado a indicação de outro irmão, o deputado estadual Rosenverg Reis, prevaleceu o entendimento de que a chapa precisava ampliar o diálogo com o eleitorado feminino.
Atualmente, Paes lidera as pesquisas de intenção de voto para o governo do Rio e, por isso, deve deixar o comando da Prefeitura da capital no dia 20 de março. Em seguida, o vice-prefeito Eduardo Cavaliere assumirá o cargo. Além disso, o prefeito afirmou que conta com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que teria respaldado integralmente a aliança com o MDB e a escolha de Jane Reis.
Antes de se filiar ao PSD, Eduardo Paes integrou os principais quadros do MDB no Rio de Janeiro. Ele, inclusive, elegeu-se prefeito da capital pelo partido em 2008 e 2012. Dessa forma, a nova aliança também simboliza uma reaproximação com sua trajetória política anterior.
