Beija-Flor e Viradouro se destacam em 2ª noite de desfiles no Rio

Veja como foram as apresentações na Marquês da Sapucaí

Foto:LUIZ GOMES/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO -

A segunda noite de desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro, realizada entre a noite de segunda-feira (16) e a madrugada de terça-feira (17), levou emoção e grandes espetáculos à Marquês de Sapucaí. Quatro agremiações cruzaram a avenida com enredos que exaltaram personalidades marcantes da cultura brasileira, como Rita Lee e Carolina Maria de Jesus.

Mocidade Independente de Padre Miguel

A primeira escola a desfilar foi a Mocidade Independente de Padre Miguel, que apresentou o enredo “Rita Lee, A Padroeira da Liberdade”, desenvolvido pelo carnavalesco Renato Lage. A proposta celebrou a irreverência, a liberdade artística e o ativismo da cantora.

Na comissão de frente, uma cela com a palavra “censurada”, em referência ao período da ditadura militar, se transformava em uma nave espacial, enquanto uma representação da artista surgia com uma vassoura de bruxa. Alas como “Ovelha Negra”, “Prisioneira”, “Toda Mulher é Meio Rita Lee”, “Miss Brasil 2000” e “Me Bebe Quente Como Um Licor” revisitaram diferentes fases da carreira da homenageada.

Juliana Paes reestreia como rainha de bateria da Unidos do Viradouro • Leo Franco/Agnews

Um dos tripés destacou o cachorro Orelha, símbolo do amor de Rita pelos animais. Vegana e defensora da causa animal, a cantora dedicou parte da vida ao resgate e à proteção dos bichos. O músico Roberto de Carvalho, viúvo da artista, desfilou no último carro alegórico, intitulado “Lança Perfume”.

Entre os pontos de atenção, jurados observaram um espaço aberto entre os setores três e quatro, o que pode impactar a pontuação da escola.

Roberto de Carvalho desfila em homenagem à Rita Lee • Leo Franco / AgNews
Desfile da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel do grupo Especial durante o Carnaval Rio 2026 • Anderson Bordê / AgNews
Desfile da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel do grupo Especial durante o Carnaval Rio 2026 • AgNews

Beija-Flor

A Beija-Flor de Nilópolis levou para a avenida a história do Bembé do Mercado, tradicional manifestação do candomblé de rua de Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano.

O desfile foi assinado por João Vitor Araújo, também responsável pelo enredo sobre Laíla que garantiu o título de 2025 à escola. Logo na abertura, Neguinho da Beija-Flor foi ovacionado pelo público em seu primeiro Carnaval após a aposentadoria. A escola apresentou como intérpretes Jéssica Martin e Nino do Milênio, que assumiram o posto deixado pelo veterano.

O desfile trouxe representações de orixás como Oxum e Iemanjá. Na comissão de frente, um barco se transformava em Mãe D’água, enquanto bailarinos encenavam pescadores em busca de sustento físico e espiritual. A escola encerrou sua apresentação dentro do tempo regulamentar, mas o carro abre-alas apresentou um problema técnico em um dos elementos.

Beija-Flor de Nilopolis, durante os desfiles do grupo Especial do carnaval carioca na Marquês de Sapucaí. 17/02/2026 • LUIZ GOMES/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Giovanna Lancelotti desfila pela Beija-Flor • Leo Franco / AgNews

Unidos do Viradouro

A Unidos do Viradouro emocionou o público com o retorno da atriz Juliana Paes ao posto de rainha de bateria após 17 anos. A volta marcou a homenagem ao mestre de bateria Ciça, enredo da escola neste ano.

Ciça comandou os ritmistas entre 1999 e 2009 e reassumiu o cargo em 2019. Visivelmente emocionado, destacou a honra de ser celebrado em vida no maior espetáculo da Terra. O desfile relembrou momentos históricos da agremiação, incluindo a icônica alegoria do xadrez de 2007, quando o carnavalesco Paulo Barros inovou ao posicionar a bateria e a rainha no alto do carro alegórico.

Apesar da forte apresentação, o elevador do penúltimo carro apresentou falha e não ergueu a estrutura central. Ainda assim, a escola concluiu o percurso dentro do tempo previsto.

Unidos da Tijuca

Encerrando a noite, a Unidos da Tijuca homenageou Carolina Maria de Jesus no Carnaval de 2026. O enredo levou o nome da própria autora, reafirmando sua identidade como uma das principais vozes da literatura brasileira e destacando a importância de reconhecê-la como escritora — e não apenas como “favelada que escrevia”.

A atriz Juliana Alves desfilou em uma posição diferente neste ano: iniciou o percurso ao lado da presidência e, no fim, retornou à última ala para atravessar novamente a avenida.

Durante o desfile, três baianas passaram mal e precisaram ser retiradas da Sapucaí. A escola concluiu sua apresentação em 77 minutos, três antes do limite regulamentar, fechando a noite com emoção e dentro do tempo previsto.