
O número de testamentos no Espírito Santo cresceu 12,7% nos últimos cinco anos. Entre 2020 e 2025, os Cartórios de Notas passaram de 377 para 425 atos registrados. Assim, o avanço revela que mais capixabas decidiram organizar o patrimônio ainda em vida. Com isso, eles buscam evitar disputas judiciais futuras e garantir segurança para a família.
O assunto ganhou ainda mais relevância após casos como o do médico Miguel Abdalla Netto, tio de Suzane von Richtofen. Ele deixou patrimônio estimado em R$ 5 milhões sem testamento. Como resultado, a definição dos herdeiros ficou a cargo da Justiça. Como era solteiro, não tinha filhos e não formalizou a destinação dos bens, o processo sucessório tende a se tornar mais complexo.
Além disso, a Justiça ainda analisará se existia união estável não registrada. Quando não há manifestação formal, a legislação determina uma ordem sucessória. Primeiro vêm filhos, pais, cônjuge ou companheiro. Na ausência deles, entram parentes colaterais, como sobrinhos, até o quarto grau. Por fim, se nenhum herdeiro for identificado, os bens podem ser declarados vacantes e destinados ao Estado.
Ferramenta para evitar conflitos familiares
Para Carolina Romano, diretora de Tabelionato de Notas do Sindicato dos Notários e Registradores do Espírito Santo (Sinoreg-ES), o testamento atua como instrumento preventivo. Segundo ela, o documento reduz conflitos e preserva relações familiares.
“Trata-se de um importante instrumento de harmonização das relações familiares, capaz de prevenir litígios que, não raro, se arrastam por anos e acabam afetando tanto famílias quanto negócios”, afirma.
Portanto, além de organizar a sucessão, o testamento garante segurança jurídica. Ao mesmo tempo, protege empresas, imóveis, investimentos e até ativos digitais. Dessa forma, o planejamento patrimonial se transforma em medida estratégica, especialmente em famílias com estruturas mais complexas.
Como fazer o testamento no ES
O interessado pode formalizar o testamento presencialmente em qualquer cartório do Espírito Santo. Alternativamente, também pode optar pela modalidade digital, por meio da plataforma e-Notariado (www.e-notariado.org.br).
No atendimento presencial, é necessário apresentar documentos pessoais, relação de bens, dados dos beneficiários e duas testemunhas maiores de 18 anos. Já na modalidade online, o cidadão agenda videoconferência com o tabelião. Durante o ato, manifesta sua vontade diante de duas testemunhas e assina com certificado digital notarizado, fornecido gratuitamente pelos cartórios.
Assim, cresce no Espírito Santo a cultura do planejamento patrimonial. Consequentemente, o Estado acompanha uma tendência nacional de maior organização sucessória. Em síntese, ao registrar formalmente a destinação dos bens, o cidadão evita conflitos prolongados e impede que o patrimônio de uma vida se transforme em longa disputa judicial.
