Rive compra registro do Gálatas e confirma disputa do Capixaba da Série B

Fonte: tribunanorteleste.com.br

Agora, não são apenas rumores, maa caso concreto. O Rive Atlético Clube, de Alegre, na região do Caparaó, comprou o CNPJ do Gálatas e confirmou que vai disputar o Campeonato Capixaba da Série B neste ano.

O presidente do clube, Jamilton Neves, 45 anos, ex-centroavante do Alegrense em 1999, na campanha de acesso à Série A (bicampeão em 2000 e 2001), está convencido do sucesso do projeto.

A organização que Jamilton garante que o clube tem para se habilitar ao profissionalismo transparece na página do Rive Atlético Clube no Instagram e na seriedade com que está apresentando o projeto.

Acaba de sair “do forno” um vídeo institucional, com forte apelo motivacionalz em que o Rive anuncia, oficialmente, a profissionalização com um projeto claro: conquistar o acesso e disputar a Série A no ano de seu centenário (o clube foi fundado em 5 de agosto de 1927).

BRUNO DIRETOR

O mercado da bola se surpreendeu quando o ex-goleiro do Flamengo,  Bruno Fernandes, apareceu jogando pelo Rive nos campeonatos amadores do Sul do Estado, mas tem novidades no ar.

“O Bruno é como meu irmão, não  sai daqui. Ele vai jogar ainda este ano, vamos subir  para a Série A e o Bruno vai se aposentar como jogador para ser diretor do clube”, disse Jamilton, aposentado pela Petrobras por causa de uma grave lesão no joelho.

Bruno Fernandes, “parça” do presidente do clube

Neves se orgulha de dizer que o Rive está há 30 jogos invicto (inciuindo vitória de 2 a 1 sobre o Capixaba, profissional) e nesse período ganhou dois campeonatos municipais de Alegre e o Sulino de 2025 vencendo, na final, o Anchieta por 1 a 0, no Sumaré.

O presidente não foge do tema “como vai conseguir recursos para o futebol profissional”, garantindo que já tem os parceiros. “Futebol amador é mais caro do que o profissional no Espírito Santo. Cada jogo nosso custa quase R$ 20 mil”, diz ele.

Isso dá em torno de R$ 80 mil por mês. Para se ter uma ideia, a folha da Desportiva na Série A é pouco mais de R$ 130 mil.

ESTÁDIO

O estádio, localizado no centro do distrito, tem nome suntuoso: Arena Rive. Lógico: é uma declaração de fé, porque hoje tem uma modesta arquibancada, mas, ao ascender à  Série A, vai jogar em seus domínios.

“Depois do Carnaval já teremos o projeto pronto e em no máximo dois meses começaremos a construir as arquibancada para 2.250 pessoas. Mas o nosso gramado só perde para o Kleber Andrade”, diz o orgulhoso presidente.

A Série B deste ano o Rive vai disputar no estádio Arsilio Caiado Ferreira, do Comercial Atlético Clube, em Alegre, que teve 1.050 lugares liberados pelo Corpo de Bombeiros. A distância de Rive para Alegre é menor do que do Centro de Vitória ao aeroporto.

“Jogo nosso não dá menos de mil torcedores. Na semifinal do Municipal do ano passado, contra o Cruzeiro tinha 3 mil pessoas”, garante o dirigente.

CAFEZÃO

Antes, porém, da Série B, o Rive vai disputar o seu último campeonato amador como amador: o Cafezão, uma competição organizada na Zona da Mata, região cafeeira de Minas Gerais, e que terá este ano dois capixabas: além do Rive, também o Brejetuba.

Os dois times capixabas estão na mesma chave e se enfrentam no dia 22, as 15 horas, em Rive.

Ainda ao longo desse ano o Rive vai disputar a Copa Espírito Santo Sub-20 e, segundo seu presidente, vai disputar a Copa São Paulo de Futebol Junior de 2027 convidado a representar o São Bernardo (SP).

Nas redes sociais, o Rive já está “pocando’ com quase 50 mil seguidores, atrás apenas do Rio Branco (104 mil), Porto Vitória (87 mil) e Desportiva (60 mil) e à frente do Vitória (41,5 mil), líder do Capixabão,  e do Serra (35 mil).

Uma figura política aparece no cenário: o deputado estadual Fabrício Gandini, cuja família é de Rive e já destinou algumas emendas para o clube enquanto amador e acompanhou o presidente na maratona para a troca de nome do CNPJ do Gálatas.

Jamilton, o presidente (à esquerda), na Federação acompanhado de Gandini (à direita)

EFÊMERO

E o que é o Gálatas Esporte Clube? Um projeto efêmero de um grupo que “comprou” o CNPJ do Espírito Santo e entrou na Série B, com documento, mas sem lenço.

Fez um projeto de marketing bonito, mas nao não entregou nada do que prometeu. Pelo contrário,  estabeleceu sua sede em Barra de São Francisco, mas deixou a cidade no meio do campeonato sem deixar saudades.

Comerciantes reclamam que deixou foi contas para pagar.  Os “donos” do Gálatas nunca apareceram. O único nome que ficou à frente do projeto foi o do publicitário que o apresentou.

O CNPJ do Rive é o mesmo do Espírito Santo FC, considerado a melhor marca criada no Estado na era dos clubes-empresa.

Era um clube amador de Anchieta, criado em 2006, mas que foi comprado por uma SAF em 2014 e fez uma trajetória meteórica até  2017, e em 2019 se licenciou da Federação, após  a queda da Série A para a B.

Nesse período, foi campeão invicto da Série B e da Copa Espírito Santo, ambos em 2016. Foi vice-campeão capixaba de 2016. Jogou três edições seguidas do Brasileiro da Série D, chegando às oitavas-de-final em 2017.

Ainda foi vice-campeão da Copa ES em dois anos consecutivo. Em 2018, porém, caiu para a Série B capixaba. Apesar das boaa campanhas anteriores e da boa marca, não ganhou adeptos e licenciou em 2019.

Portanto, o que era o Espírito Santo e a efeméride galática, agora é o Rive (sem cacofonia). O Rive Atlético Clube tem duas coisas que seus antecessores no CNPJ nunca tiveram: história (centenária) e uma fiel e apaixonada torcida que por certo é maior do que de pelo menos quatro sos atuais integrantes da Série A.

Se é um sonho ou não, o fato é que o vermelho-e-brando do Rive coloca Alegre de volta no mapa do futebol capixaba depois de mais de duas décadas. A Geração Z nunca viu um time da cidade no Capixabão .(José Caldas  da Costa, especial)