Ao romper alianças, Arnaldinho arrisca protagonismo e impulsiona adversário

Enquanto adversários arriscam movimentos na planície, Ricardo Ferraço se posiciona no centro do tabuleiro estadual

Prefeito Arnaldinho Borgo, Vila Velha -
Por Jackson Rangel

A política capixaba entrou, de vez, no modo pré-eleitoral. E, nesse tabuleiro antecipado de 2026, cada movimento carrega peso estratégico. O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), decidiu assumir um papel arriscado ao se aproximar do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), em uma articulação que mira o Governo do Espírito Santo.

Ao aceitar a pecha de traidor imposta por parte do grupo governista, Arnaldinho aposta alto. No entanto, a pergunta que ecoa nos bastidores é simples: qual o tamanho real desse movimento? Ao se colocar como possível vice ou até como pré-candidato ao Senado, o prefeito canela-verde parece medir forças em um campo onde o capital político estadual ainda exige densidade, musculatura e tempo de estrada.

Enquanto isso, Ricardo Ferraço (MDB) caminha em outra direção. Em abril, ele assume o Governo do Estado, ainda que interinamente, consolidando visibilidade institucional, protagonismo administrativo e experiência executiva. Portanto, não se trata apenas de discurso, mas de ocupação concreta de espaço político.

Além disso, há um fator decisivo: a desincompatibilização. Quando prefeitos deixam seus cargos para disputar eleições estaduais, descem da vitrine administrativa para a planície eleitoral. Perdem, ainda que temporariamente, a máquina, a agenda oficial e a autoridade do cargo. É justamente nesse momento que a diferença entre experiência consolidada e aposta arriscada costuma aparecer.

Por outro lado, Lorenzo Pazolini também se movimenta com ambição. Contudo, ao antecipar o embate e tensionar o ambiente político, pode fortalecer justamente quem pretende atingir. Em política, ataque mal calibrado muitas vezes produz efeito reverso.

O eleitor capixaba, vale lembrar, amadureceu. Ele distingue marketing de gestão. Diferencia protagonismo institucional de ensaio eleitoral. Sobretudo, percebe quando o debate se constrói sobre estratégia sólida ou sobre impulso.

O quadro está posto. De um lado, articulações ainda em busca de densidade estadual. De outro, um nome que assume o governo e amplia naturalmente seu campo de influência. Em síntese, o jogo já começou — mas nem todos entram na partida com o mesmo peso.

E, como sempre, quem decide é o povo.