A nova pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (11), redesenha o tabuleiro da sucessão presidencial de 2026. Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantenha a liderança na maioria dos cenários, o senador Flávio Bolsonaro (PL) avança, reduz distâncias e já aparece tecnicamente empatado em uma das simulações de primeiro turno.
Além disso, o levantamento confirma que a corrida ainda está aberta. No cenário espontâneo, quando os nomes não são apresentados ao eleitor, 65% afirmam não saber em quem votar. Ou seja, o jogo permanece indefinido.
Lula lidera, mas margem varia
No principal cenário estimulado, Lula soma 35% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro alcança 29%. Ratinho Junior aparece com 8%. Já em outro cenário, sem alguns governadores, Lula registra 37% contra 33% de Flávio — diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Portanto, embora o presidente preserve a dianteira, a vantagem oscila conforme a configuração da disputa.
Além disso, a ausência do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, altera o equilíbrio interno da direita. Sem ele, Flávio consolida-se como principal nome do campo conservador testado pelo instituto.
Segundo turno favorece Lula
Quando a pesquisa projeta um eventual segundo turno, Lula vence todos os adversários avaliados.
Contra Flávio Bolsonaro, o petista marca 43% contra 38%. Já diante de Ratinho Junior, Lula atinge 43% contra 35%. Em cenários contra Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite, a vantagem se amplia.
Ainda assim, os índices de branco, nulo e indecisos seguem elevados, variando entre 17% e 27%, o que sinaliza espaço para mudanças ao longo do processo eleitoral.
Rejeição alta impõe desafio aos favoritos
A Quaest também mediu conhecimento e potencial de voto. Lula apresenta 42% de eleitores que dizem conhecê-lo e votar nele, mas enfrenta 54% que afirmam conhecê-lo e não votar. Flávio Bolsonaro registra 36% de potencial de voto e 55% de rejeição.
Esse dado revela um cenário clássico de polarização. Ambos mobilizam bases sólidas; entretanto, enfrentam resistências igualmente robustas.
Enquanto isso, governadores como Zema, Caiado e Eduardo Leite ainda sofrem com alto desconhecimento nacional. Mais da metade dos entrevistados afirma não conhecer esses nomes o suficiente para opinar.
Polarização se mantém, mas centro ainda busca espaço
O levantamento indica que a polarização entre lulismo e bolsonarismo continua estruturando o debate nacional. Contudo, o grande contingente de indecisos e o elevado índice de rejeição sugerem que o eleitorado pode buscar alternativas.
Além disso, a fragmentação do campo da direita pode favorecer Lula no primeiro turno. Porém, se houver convergência em torno de um único nome competitivo, o cenário tende a se equilibrar ainda mais.
Em síntese, Lula lidera, mas não navega em águas tranquilas. Flávio cresce e ocupa o espaço deixado por Tarcísio na pesquisa. E, sobretudo, o eleitor ainda observa — e decide — com cautela.
Metodologia
A Quaest entrevistou 2.004 pessoas entre 5 e 9 de fevereiro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi contratada pelo Banco Genial S.A. e registrada no TSE sob o número BR-00249/2026.
