Piercings e tatuagens ganharam espaço, atravessaram gerações e se espalharam por diferentes culturas. Além da estética, essas marcas corporais também despertam interesse acadêmico e social. Entre os comportamentos estudados, está a estigmatofilia, termo usado para definir a atração sexual por tatuagens, perfurações ou cicatrizes.
Ao longo dos anos, especialistas passaram a analisar o tema sob diferentes perspectivas. Assim, o debate avança entre explicações psicológicas, culturais e comportamentais.
O que é estigmatofilia
A estigmatofilia descreve a atração por pessoas que possuem tatuagens, piercings ou marcas visíveis na pele. Em muitos casos, basta o contato visual para despertar interesse. Ainda assim, isso não significa um impulso incontrolável ou a necessidade de tocar essas marcas.
Além disso, há quem se sinta atraído apenas por tatuagens ou apenas por piercings. Por outro lado, pessoas sem essas marcas costumam não despertar o mesmo interesse nesses indivíduos.
Parafilia ou fetichismo
Parte dos especialistas classifica a estigmatofilia como uma parafilia, ou seja, um padrão de excitação ligado a estímulos específicos e pouco convencionais. Nesse entendimento, a dor associada à tatuagem ou à perfuração poderia gerar empatia e intensificar a atração.
No entanto, outros profissionais defendem que se trata apenas de fetichismo. Nesse caso, tatuagens e piercings não seriam indispensáveis para a excitação sexual, mas funcionariam como elementos que ampliam o prazer. Mesmo sem eles, as relações continuariam sendo satisfatórias.
É considerado um desvio sexual?

Apesar de causar estranhamento em alguns contextos sociais, a estigmatofilia não é considerada doença mental. Para que um comportamento seja classificado como transtorno psicológico, ele precisa provocar sofrimento persistente ou causar dano a outra pessoa.
Nesse sentido, a estigmatofilia não atende a esses critérios. Portanto, não se trata de um desejo patológico ou compulsivo que exija intervenção clínica, salvo em situações muito específicas.
Raízes culturais e históricas
A atração por marcas corporais também encontra explicações na antropologia. Desde a Roma Antiga, por exemplo, soldados usavam aros nos mamilos como símbolos de virilidade e coragem. Em diversas culturas, tatuagens e perfurações marcaram ritos de passagem, especialmente ligados à adolescência e à identidade social.
Assim, essas práticas sempre estiveram associadas a beleza, força, pertencimento e expressão pessoal.
Identidade, significado e atração
Mais do que ornamentos, tatuagens costumam carregar histórias, crenças e experiências pessoais. Elas revelam emoções, fases da vida e valores individuais. Por isso, a atração estigmatofílica muitas vezes se relaciona menos ao desenho em si e mais ao significado que ele representa.
Curiosamente, nem todos que sentem essa atração possuem tatuagens ou piercings. Ainda assim, algumas áreas do corpo costumam despertar maior interesse, como lábios, língua, mamilos e regiões íntimas.
Dessa forma, se o coração acelera diante de alguém tatuado ou com piercings, a explicação pode estar menos no acaso e mais em um traço específico da atração humana.
