Estudos mostram mais diagnósticos em mulheres, mas causas não são claras

Doenças autoimunes, transtornos psiquiátricos, condições endócrinas e síndromes dolorosas crônicas estão entre os quadros mais frequentemente identificados no público feminino.

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A literatura médica aponta que mulheres são cerca de três a sete vezes mais propensas a receber determinados diagnósticos do que homens, segundo estudos científicos publicados por instituições nacionais e internacionais da área da saúde. A diferença tem chamado a atenção de pesquisadores e especialistas, que buscam compreender os fatores envolvidos nesse desequilíbrio.

Pesquisas indicam que essa maior taxa de diagnósticos em mulheres está relacionada a uma combinação de fatores biológicos, hormonais, genéticos e imunológicos, além de aspectos sociais e comportamentais. Doenças autoimunes, transtornos psiquiátricos, condições endócrinas e síndromes dolorosas crônicas estão entre os quadros mais frequentemente identificados no público feminino.

Outro ponto relevante é o comportamento de busca por atendimento médico. Dados mostram que mulheres costumam procurar serviços de saúde com maior frequência, realizam exames preventivos regularmente e aderem mais ao acompanhamento clínico, o que contribui para diagnósticos mais precoces e precisos.

Por outro lado, especialistas alertam que os números também revelam uma possível subnotificação entre homens. A resistência masculina em buscar atendimento médico, associada a fatores culturais e sociais, pode levar ao atraso no diagnóstico e ao agravamento de doenças que poderiam ser tratadas de forma mais eficaz em estágios iniciais.

Além disso, estudos apontam que a medicina historicamente se baseou em padrões masculinos para pesquisas clínicas, o que pode influenciar tanto na identificação quanto na interpretação de sintomas apresentados por mulheres. Esse cenário tem sido gradualmente revisto, com maior inclusão feminina em estudos científicos e ensaios clínicos.

Implicações para a saúde pública

A diferença expressiva nos índices de diagnóstico entre homens e mulheres tem impacto direto na formulação de políticas públicas de saúde. Especialistas defendem estratégias que incentivem a prevenção, o acompanhamento médico regular e a conscientização, especialmente entre o público masculino.

Ao mesmo tempo, é fundamental que os sistemas de saúde estejam preparados para atender às especificidades do corpo feminino, garantindo diagnósticos adequados, tratamentos eficazes e abordagens personalizadas.

A comunidade científica reforça que compreender essas diferenças é essencial para reduzir desigualdades, melhorar a qualidade do atendimento médico e promover uma saúde pública mais justa e eficiente. Investir em pesquisa, educação em saúde e acesso à informação é apontado como caminho indispensável para enfrentar esse desafio.