Câncer: mais de 60% das mortes no AM atingem idosos

Os dados apontam o envelhecimento da população como fator decisivo e reforçam a importância do diagnóstico precoce e da ampliação do acesso ao tratamento.

Mais de 60% das mortes por câncer no Amazonas atingiram pessoas com mais de 60 anos entre 2021 e 2025. De acordo com boletim divulgado nesta quarta-feira (4) pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), o estado registrou 20.948 óbitos provocados pela doença no período analisado.

Idade média reforça impacto do envelhecimento

Nesse contexto, a análise aponta que a idade média das vítimas foi de 62 anos. Além disso, a distribuição por sexo mostrou equilíbrio, embora tenha havido leve predominância feminina, que respondeu por 50,9% dos registros. Ainda assim, os dados indicam que o envelhecimento da população exerce papel central no avanço da doença.

Estilo de vida concentra principais fatores de risco

Por outro lado, o boletim também chama atenção para fatores associados ao estilo de vida. Entre eles, destacam-se o tabagismo, o consumo de álcool, o excesso de peso, a alimentação inadequada, o sedentarismo, a poluição atmosférica e infecções como HPV e hepatites virais. Dessa forma, a FVS-RCP reforça que a prevenção ultrapassa o campo exclusivamente médico.

A diretora-presidente da fundação, Tatyana Amorim, explica que esses mesmos fatores influenciam outras doenças crônicas. Segundo ela, hábitos nocivos também se relacionam à hipertensão, ao diabetes e a distúrbios metabólicos. Por isso, ações preventivas integradas ampliam os efeitos positivos na saúde da população.

Mudanças simples reduzem riscos

Além disso, especialistas destacam que pequenas mudanças no cotidiano já produzem impacto significativo. Conforme avalia a gerente da Gerência de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis (GVDANT), Anny Antony, movimentar-se mais, cuidar da alimentação e buscar os serviços de saúde no momento adequado fazem diferença real. Assim, a informação passa a ser uma ferramenta essencial na redução do câncer e de outras doenças crônicas.

Cenário nacional confirma tendência

Paralelamente, dados nacionais reforçam o alerta. De acordo com o Vigitel, principal inquérito brasileiro sobre Doenças Crônicas Não Transmissíveis, 62,6% dos adultos apresentam excesso de peso, enquanto 25,7% convivem com obesidade. Além disso, 42,3% não praticam atividade física no tempo livre, e até um quarto da população relata sono insuficiente.

Na Região Norte, cerca de 7 mil pessoas participaram da pesquisa, incluindo mil moradores de Manaus. Nesse cenário, o perfil regional acompanha o padrão nacional, com destaque para excesso de peso entre mulheres, altos índices de sedentarismo e descanso inadequado.

Tipos de câncer mais letais no estado

Por fim, no Amazonas, cinco tipos de câncer concentram 43% das mortes registradas: estômago, pulmão, colo do útero, mama e próstata. Diante disso, autoridades de saúde reforçam a necessidade de investir em prevenção, diagnóstico precoce e promoção de hábitos saudáveis em todo o estado.