Pelos encravados e foliculite: por que a lâmina pode agravar o quadro

Especialista explica as diferenças e aponta formas seguras de evitar inflamações.

Foto ilustrativa -

Manchas e escurecimentos na pele vão além de uma questão estética. As regiões afetadas interferem na confiança, impactam a rotina e influenciam a forma como muitas pessoas se enxergam. Essa relação entre aparência e bem-estar foi evidenciada em um estudo epidemiológico global conduzido em 2023 pela La Roche-Posay, que ouviu quase 50 mil pacientes em 34 países. Os dados mostram a dimensão do problema: 46% dos entrevistados relataram impacto direto na autoestima provocado por essas marcas, reforçando como esse tipo de condição também afeta o equilíbrio emocional. No dia a dia, um dos fatores mais associados a esse cenário é o uso frequente da lâmina, especialmente em regiões mais sensíveis do corpo.

Segundo Tálona Nayla de Marco, coordenadora responsável técnica da LypeDepyl, rede referência em depilação a laser e pioneira na despigmentação de tatuagens e sobrancelhas, é comum que os termos pelo encravado e foliculite sejam tratados como sinônimos, embora representem quadros distintos. “O pelo encravado acontece quando o fio não consegue ultrapassar a superfície cutânea e passa a crescer internamente. Já a foliculite é um processo inflamatório do folículo piloso, geralmente provocado por bactérias, fungos ou pela agressão repetida da região”, explica.

Apesar das diferenças clínicas, ambos compartilham fatores desencadeantes semelhantes, métodos de depilação mais agressivos, entenda:

Por que a lâmina pode piorar o problema?

Ela promove o corte do fio muito próximo da superfície da pele, deixando sua extremidade mais rígida e pontiaguda. “Durante o crescimento, esse fio encontra maior resistência para atravessar a barreira cutânea, o que favorece o crescimento interno e o surgimento de inflamações. O atrito contínuo também pode causar microlesões quase imperceptíveis, facilitando a entrada de microrganismos e intensificando quadros de vermelhidão, sensibilidade e infecção local”, explica a profissional.

A especialista ressalta ainda que o uso repetido da lâmina na mesma região aumenta o risco de irritações persistentes, surgimento de pústulas, escurecimento da pele e até marcas duradouras. Em pessoas com maior sensibilidade ou predisposição à hiperpigmentação, esses efeitos tendem a se manifestar com mais intensidade.

Caminhos mais seguros

Evitar métodos agressivos e adotar uma rotina de cuidados mais equilibrada faz diferença no controle do problema. Reduzir a frequência de técnicas que promovem cortes rente à superfície é um passo importante, assim como manter a região bem hidratada, já que o ressecamento favorece respostas irritativas. A renovação celular também deve ser estimulada com cautela, evitando agressões que possam intensificar o quadro, orienta.

Nesse contexto, técnicas que atuam diretamente na raiz do pelo ganham destaque por oferecerem benefícios progressivos. “A depilação a laser, contribui para a redução gradual da densidade e da espessura dos fios, diminuindo o atrito e a recorrência de processos inflamatórios. Com o tempo, a área tratada se torna mais estável, menos sensível e menos suscetível a reações, o que reflete tanto na aparência quanto no conforto ao longo do dia”, conclui Tálona.