Um mês após a ofensiva militar dos Estados Unidos, a Venezuela vive um cenário de transição política controlada. Na ocasião, a operação resultou na captura de Nicolás Maduro e marcou o início de uma nova fase no país. Desde então, mudanças econômicas e diplomáticas avançaram, enquanto a estrutura chavista permaneceu no poder.
Na madrugada de 3 de janeiro, as primeiras bombas caíram sobre alvos estratégicos. Em seguida, Maduro e a esposa, Cilia Flores, foram capturados e levados a Nova York, onde respondem a acusações de tráfico de drogas. Logo depois, o comando do país passou para a então vice-presidente Delcy Rodríguez, que assumiu o governo de forma interina.
Desde o início, Rodríguez conduz reformas exigidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ao mesmo tempo, ela mantém o discurso chavista e evita uma ruptura institucional. Por isso, analistas classificam o momento como uma “estabilidade tutelada”, sem colapso do regime.
reaproximação com os EUA
Nesse contexto, a retomada das relações diplomáticas, rompidas em 2019, acelerou mudanças estruturais. Entre elas, está a reforma da lei do petróleo, que flexibiliza o modelo estatista criado em 1976 e ampliado por Hugo Chávez. Com a nova regra, empresas privadas passaram a atuar de forma independente. Além disso, o governo reduziu royalties e simplificou impostos.
O objetivo, segundo Washington, é atrair petroleiras americanas, como a Chevron. Para isso, especialistas estimam investimentos de até US$ 150 bilhões para recuperar a produção venezuelana. Enquanto isso, os Estados Unidos passaram a controlar parte das vendas de petróleo, sem os descontos do antigo embargo.
poder e propaganda
Apesar das mudanças, o chavismo segue no comando. Nesse sentido, Rodríguez substituiu ministros e oficiais das Forças Armadas. Ainda assim, figuras centrais como Diosdado Cabello e Vladimir Padrino permanecem nos cargos.
Paralelamente, o partido governista intensificou atos públicos e campanhas pela libertação de Maduro. Além disso, a TV estatal reforça a narrativa de que o ex-presidente é um “prisioneiro de guerra”.
anistia e cautela
Por outro lado, Rodríguez anunciou uma anistia geral, que ainda depende de votação no Parlamento. Com isso, familiares de presos políticos passaram a demonstrar expectativa. No entanto, entidades de direitos humanos defendem cautela.
Segundo a ONG Foro Penal, ao menos 687 pessoas continuam presas por motivos políticos. Ao mesmo tempo, o governo anunciou o fechamento do Helicoide, prisão denunciada por práticas de tortura.
Em resumo, o clima de medo diminuiu, mas não desapareceu. Como avaliam analistas, há uma “liberalização tática”, na qual o sistema recalibra o custo da repressão sem abrir mão do controle político.
