A cada período chuvoso, a memória política de Cachoeiro de Itapemirim retorna com força. Para o ex-prefeito Victor Coelho, esse retorno vem acompanhado de um incômodo recorrente: a macrodrenagem que prometeu concluir dentro do seu mandato, mas que jamais foi entregue de forma integral.
Desde o início, a obra foi tratada como solução definitiva para os alagamentos históricos da cidade. No entanto, ao longo da gestão, o discurso se repetiu mais vezes do que o concreto foi aplicado. Datas de inauguração foram anunciadas, revistas e remarcadas. A imprensa registrou. Vereadores acompanharam. A população ouviu.
O encontro com moradores e o erro admitido
Em novembro de 2023, já no fim do mandato, Victor Coelho reuniu moradores da avenida Etelvina Vivácqua, no bairro Nova Brasília. Na ocasião, anunciou um cronograma específico para aquele trecho. Contudo, ao mesmo tempo, admitiu publicamente que a obra não estava completa.
Segundo ele próprio, a caixa de drenagem que falta corresponde cerca de 5% de complementos técnicos. À época, o percentual foi tratado como irrelevante. Entretanto, o tempo e a chuva mostraram o contrário. O que parecia detalhe tornou-se o ponto crítico do problema criado pelo ex-prefeito.
A chuva como teste de realidade
Com as últimas chuvas, o cenário se repetiu. A região voltou a alagar por completo. Comerciantes tiveram prejuízos significativos. Moradores reviveram o drama que acreditavam ter ficado no passado. Dessa forma, a promessa de encerrar os alagamentos recorrentes do verão caiu por terra.
Além disso, a frustração aumentou porque muitos confiaram que, ainda naquele mandato, estariam livres das águas. Isso não aconteceu. Ao contrário, o problema voltou com força, agora acompanhado de indignação.
O esquecimento como estratégia política
Diante desse quadro, Victor Coelho parece apostar no esquecimento da população. Principalmente no esquecimento dos comerciantes, que sofrem diretamente os impactos financeiros dos alagamentos. No entanto, a natureza não negocia com a política. Quando a chuva cai, a realidade reaparece.
Por isso, sempre que o período chuvoso se aproxima, a inquietação política também cresce. A neurose se manifesta. Em vez de reconhecer limites e falhas, o ex-prefeito opta por transferir a responsabilidade.
A tentativa de empurrar a culpa
Sem humildade política, Victor tenta atribuir à gestão sucessora a obrigação de concluir a obra que ele prometeu entregar. Ainda que o novo governo tenha acabado de assumir, a cobrança surge de forma insistente e pública.
Esse comportamento revela um efeito comum da política eleitoral. O estresse do pós-mandato, somado ao sentimento de culpa, gera a necessidade constante de explicação. Assim, a narrativa vira um exercício de autojustificação.
Uma obra sem inauguração e um legado vazio
A verdade é direta. Victor Coelho não conseguiu inaugurar a maior obra de sua gestão, financiada pelo Governo do Espírito Santo. Além disso, não deixou projetos estruturantes verticais de relevância capazes de marcar seu legado administrativo.
Para agravar o cenário, encerrou o mandato sem deixar saldo orçamentário suficiente para investimentos importantes em 2025. Dessa forma, a tentativa de repassar responsabilidades soa ainda mais desconectada da realidade.
O silêncio que constrasta
Enquanto isso, o prefeito Theodorico Ferraço (PP) opta pelo silêncio. Um silêncio estratégico, que contrasta com a verborragia do antecessor. Esse comportamento expõe, sem discursos inflamados, a imaturidade política de quem saiu sem concluir o que prometeu.
Por outro lado, a cidade segue lidando com problemas reais, que não se resolvem com narrativas.
Quando a chuva volta, a culpa reaparece
Nas próximas chuvas, o roteiro tende a se repetir. A água sobe, os prejuízos aparecem e, junto com eles, o pânico político. A neurose instalada na alma, no corpo e no espírito do ex-prefeito reaparece com força máxima.
Porque, em política, obras podem até ficar inacabadas. Contudo, a memória coletiva nunca seca. Ela sempre retorna com a primeira enxurrada.nxurrada.
