Abadá: a roupa que virou símbolo do Carnaval brasileiro

O abadá se tornou símbolo do Carnaval brasileiro ao identificar foliões e garantir acesso a blocos e trios elétricos.

Imagem ilustrada e gerada por IA -

Presente nos blocos, trios elétricos e grandes festas populares, o abadá se consolidou como um dos principais símbolos do Carnaval no Brasil. Mais do que uma camiseta, a peça funciona como ingresso, identificação e marca de pertencimento dos foliões aos eventos.

O termo tem origem africana. A palavra “abadá” deriva do iorubá agbádá, nome dado a uma túnica tradicional usada em países da África Ocidental, como Nigéria e Benim. A vestimenta era ampla, confortável e utilizada tanto no cotidiano quanto em cerimônias religiosas e festividades.

No Brasil, o conceito do abadá começou a ganhar força a partir da década de 1980, com a expansão do Carnaval de Salvador e a popularização dos trios elétricos. Na época, os blocos passaram a adotar camisas padronizadas para diferenciar os foliões que tinham acesso às áreas próximas aos trios. Com o tempo, essas camisas evoluíram para o modelo atual de abadá.

A partir dos anos 1990, o uso da peça se espalhou para outras regiões do país, acompanhando o crescimento das micaretas, festas fora de época e grandes eventos populares. Hoje, o abadá está presente não apenas no Carnaval, mas também em corridas de rua, festivais de música e eventos esportivos.

Além da função prática, o abadá ganhou valor cultural. A customização da peça virou tradição entre os foliões, que adaptam cortes, cores e estilos, transformando a roupa em expressão individual dentro de uma festa coletiva.

Curiosidade

Apesar de hoje ser associado quase exclusivamente ao Carnaval, o abadá tem raízes profundas na cultura africana e religiosa. A túnica original africana inspirou o nome, mas o modelo brasileiro passou por uma ressignificação completa, tornando-se um ícone da indústria do entretenimento e da cultura popular.