Caso Orelha tem reviravolta após depoimento de adolescente

Depoimento à polícia levou ao descarte inicial da participação de um dos jovens e mudou os rumos da investigação sobre a morte do cão em Florianópolis

Um dos adolescentes investigados pela morte do cão comunitário Orelha prestou depoimento pela primeira vez à Polícia Civil de Santa Catarina. Durante a oitiva, realizada na delegacia, o jovem apresentou sua versão dos fatos. A partir disso, os investigadores identificaram novos elementos e abriram uma reviravolta no caso, que segue sob apuração.

O cão Orelha morreu no dia 5 de janeiro após sofrer agressões na região da Praia Brava, em Florianópolis. Desde então, o episódio gerou forte comoção social, tanto pela violência contra um animal idoso e dócil quanto pelos desdobramentos envolvendo familiares dos adolescentes suspeitos.

Além da apuração sobre a morte do animal, a Polícia Civil avançou em outras frentes. Segundo a corporação, dois pais e um tio de adolescentes investigados ameaçaram um porteiro que teria presenciado parte dos acontecimentos. Por isso, os agentes indiciaram os três homens — dois empresários e um advogado — pelo crime de ameaça.

Enquanto isso, as investigações também apontaram que os adolescentes teriam se envolvido em outros episódios de violência e ilegalidades na região. De acordo com a delegada Mardjoli Valcareggi, responsável pelo inquérito, o grupo praticou ofensas contra profissionais locais, além de furtos e depredação de patrimônio. “O caso do Orelha foi o mais grave, porém não foi o único”, afirmou.

Além disso, outro fator ampliou a indignação popular. Poucos dias após os fatos investigados, dois adolescentes foram enviados pelos pais para uma viagem de férias aos Estados Unidos.

Adolescente nega envolvimento

Na Delegacia Especializada de Adolescentes em Conflito com a Lei, um dos jovens já prestou depoimento. Segundo o delegado Renan Balbino, ele negou que estivesse na praia no momento em que o cão Orelha foi agredido. Diante dessa versão, a polícia descartou, neste momento inicial, a participação desse adolescente no crime.

Mesmo assim, os investigadores apreenderam o celular do jovem e encaminharam o aparelho para perícia. “Agora, vamos confrontar o relato com a análise do telefone para verificar se existem elementos que confirmem ou contradigam a versão apresentada”, explicou Balbino.

Na sequência, a polícia deve ouvir os demais adolescentes envolvidos. As oitivas estão previstas para a próxima semana, embora ainda não tenham data definida. Conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), os depoimentos ocorrerão com a presença de responsáveis legais, enquanto a participação de advogado permanece facultativa.

Enquanto isso, dois dos jovens retornaram ao Brasil na quinta-feira (29), após a viagem aos Estados Unidos. Assim que desembarcaram, policiais apreenderam celulares e roupas. Além disso, no início da semana, agentes já haviam cumprido mandados de busca em endereços ligados aos adolescentes que permaneceram no país.

Polícia descarta ligação com outro caso

No sábado (31), a Polícia Civil anunciou outra atualização relevante. Os investigadores descartaram a participação dos quatro adolescentes investigados pela morte de Orelha em um segundo episódio de maus-tratos, envolvendo o cão comunitário Caramelo.

Segundo a corporação, ao contrário do que foi divulgado inicialmente, os adolescentes não tentaram afogar o animal dois dias após a agressão contra Orelha. Em manifestação anterior, a delegada Mardjoli Valcareggi havia tratado os episódios como distintos, com base em imagens e relatos de testemunhas.

Atualmente, o cão Caramelo está em segurança. A polícia resgatou o animal, que acabou adotado por um delegado.

No entanto, apesar de descartar a tentativa de afogamento, a Polícia Civil ainda não detalhou o contexto das imagens em que os adolescentes aparecem carregando o cão Caramelo. Por isso, o caso segue gerando questionamentos.

As investigações continuam, e a Polícia Civil deve divulgar novos esclarecimentos nos próximos dias.