Exportações de serviços atingem recorde no Brasil em 2025, impulsionadas pelo avanço digital

Painel inédito do Mdic revela que o país exportou US$ 51,83 bilhões em serviços no ano passado, com destaque para a forte expansão do setor digital e seus impactos nas contas externas

Imagem gerada por IA

As exportações brasileiras de serviços bateram recorde em 2025. O país vendeu ao exterior US$ 51,83 bilhões, impulsionado principalmente pelos serviços digitais, que responderam por 65% do total. Os dados constam no Painel Comércio Exterior Brasileiro de Serviços em Números (ComexVis Serviços), lançado na última quarta-feira (28) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

A nova ferramenta amplia a transparência e muda o patamar das estatísticas do setor no Brasil.

Novo painel amplia transparência

Até então, o comércio internacional de serviços não contava com estatísticas detalhadas. Embora essas transações integrem as contas externas divulgadas mensalmente pelo Banco Central (BC), os números apareciam de forma agregada, sem detalhamento por setor ou parceiro comercial.

Agora, o ComexVis Serviços preenche essa lacuna. A plataforma reúne dados inéditos e interativos sobre exportações e importações de serviços do Brasil e do mundo. Além disso, permite acompanhar a evolução histórica dos fluxos e analisar a distribuição por segmentos econômicos.

Integração com o ecossistema do Mdic

Os dados do painel têm como base informações primárias do Banco Central e passam a integrar o conjunto oficial de estatísticas divulgadas pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Ao mesmo tempo, o ComexVis Serviços se soma ao ecossistema digital do ministério, que já inclui ferramentas como o Comex Stat e o Comex Vis.

Dessa forma, usuários passam a contar com gráficos, indicadores e análises interativas em um ambiente integrado.

Serviços ganham peso no comércio exterior

Segundo o vice-presidente e ministro do Mdic, Geraldo Alckmin, a iniciativa responde a uma demanda crescente por informações estruturadas sobre o setor. Ele destaca que os serviços representam uma fronteira cada vez mais relevante do comércio exterior brasileiro.

Além disso, dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram que cerca de 40% do valor adicionado nas exportações de manufaturados brasileiros corresponde a serviços embutidos.

“A plataforma atende à demanda por dados comparáveis e acessíveis sobre o comércio internacional”, afirmou Alckmin, em nota.

Apoio ao setor produtivo

De acordo com a Secex, o painel fortalece o debate público e contribui para a formulação de políticas voltadas à competitividade internacional do setor de serviços. Ao apresentar informações de forma simples e visual, a ferramenta ajuda governo, empresários e entidades a identificar oportunidades de negócios.

Com isso, o Brasil avança na promoção do comércio de serviços e na qualificação das decisões estratégicas do setor produtivo.

Déficit externo ainda preocupa

Apesar do recorde nas exportações, o país mantém um déficit crônico na balança de serviços. Em 2025, o Brasil importou US$ 104,77 bilhões, o que resultou em um saldo negativo de US$ 52,94 bilhões no setor.

Além disso, o elevado volume de remessas de lucros ao exterior contribuiu para que o déficit das contas externas chegasse a US$ 68,791 bilhões no ano passado.

Superávit comercial evita cenário pior

Ainda assim, o rombo poderia ter sido muito maior. O superávit de US$ 68,293 bilhões na balança comercial de bens ajudou a equilibrar as contas externas em 2025.

Na prática, déficits elevados indicam maior dependência de capitais externos, como investimentos em bolsa e aportes diretos de empresas estrangeiras. Esses recursos garantem o fechamento do balanço de pagamentos, reforçam as reservas internacionais e ajudam a conter a desvalorização do real.

Serviços podem reduzir dependência externa

Em 2025, o investimento estrangeiro direto somou US$ 77,676 bilhões, o melhor resultado desde 2014, compensando com folga o déficit das contas externas. Ainda assim, o aumento sustentado das exportações de serviços surge como um caminho estratégico para reduzir a dependência de capitais externos no médio e longo prazo.

Assim, o avanço dos serviços, especialmente os digitais, tende a ganhar protagonismo na inserção internacional da economia brasileira.