A Agricultura por um triz

As chuvas também mudam, na média, chove menos, mas concentra-se mais, gerando inundações catastróficas.

Fonte da foto: imagem gerada por IA (estilo jornalístico), -

O último relatório da UNESCO  sobre a vazão dos rios mostra um dado assustador, em 2024, a maioria dos rios brasileiros tiveram uma vazão abaixo ou muito abaixo do normal. A América do Sul é a região mais afetada do planeta. Tudo por conta dos gases de efeito estufa e do desmatamento das nascentes e rios.

Todos os cientistas da área do Clima afirmam que já vivemos antecipadamente os efeitos do aquecimento global, que aumenta a média da temperatura da Terra, mas também aumenta os extremos, alguns dias mais frios e muitos de extremo calor. As chuvas também mudam, na média, chove menos, mas concentra-se mais, gerando inundações catastróficas. Tudo por causa da poluição de gás carbônico (CO2) gerada pelos combustíveis fósseis (carvão mineral, petróleo e gás natural) e metano (CH4). 

Isso não parece afetar a agricultura do Brasil que teve recorde de safra em 2025, foram 322,4 milhões de toneladas, 4,7% a mais que em 2024. A Área plantada foi de 78,9 milhões de hectares, um aumento de 2,5% sobre o ano anterior e com ganho na produtividade média, 4.086 kg/ha, aumento de 2,2%.

O Brasil não é a maior área cultivada do mundo, como se dizia na minha infância nos anos 1970. Segundo a NASA, em um levantamento de 2017, as maiores extensões cultivadas estavam na Índia, 179,8 milhões de hectares, nos Estados Unidos, 167,8 Mha, na China, 165,2 Mha e na Rússia, 155,8 Mha, estes quatro países totalizavam 36% da área cultivada do planeta. O Brasil vinha em seguida com 64 milhões de hectares naquele ano, ou seja, ocupava o quinto lugar, e estava muito longe do quarto. Seguiam depois Canadá, Argentina, Indonésia, Austrália e México.

O Brasil ainda tem uma grande área degradada, estimada em 140 milhões de hectares, anos atrás. No Cerrado, há áreas com degradação de pastagens; no Nordeste, desertificação (RN, CE, PI, BA); no Sul, erosão intensa e na Amazônia Legal, pastagens degradadas em áreas de antigo desmatamento.

Há iniciativas de recuperação como o Plano ABC+ (Agricultura de Baixo Carbono), que tem meta de recuperar 30 milhões de hectares de pastagens degradadas até 2030; e o ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, que já recuperou mais de 18 milhões de hectares. Há ainda os programas estaduais, como o do Paraná (Recuperação de Solos) e Mato Grosso (Produzir, Conservar e Incluir).

A recuperação é extremamente importante, pelos impactos econômicos, como a perda de produtividade de até 50% em áreas severamente degradadas. O custo da recuperação vai de R$ 2.000 a R$ 6.000 por hectare. Para estar no mesmo nível dos quatro primeiros produtores do mundo, o Brasil precisa recuperar mais de cem milhões de hectares, em outras palavras, já se pode estimar este objetivo: 400 bilhões de reais. Só é preciso decidir em quanto tempo será feito e as fontes financiadoras.

É aqui que os políticos e seus partidos políticos precisam assumir seu papel transformador: identificar os que degradam as terras, estabelecer punições, facilitar desapropriação e aquisição, ou seja, fazer disso um negócio. E envolver os cientístas como os da Embrapa.