
Pesquisadores da Universidade de Würzburg, na Alemanha, em parceria com cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos EUA, descobriram como os tumores do câncer de pâncreas conseguem crescer tão rápido sem chamar a atenção do sistema imunológico.
Segundo o estudo, as células cancerígenas usam um mecanismo interno para se “esconder” das defesas naturais do corpo, que são ativadas justamente pelo sistema imunológico.
Isso faz com que a doença avance sem ser combatida e também ajuda a explicar por que esse tipo de câncer costuma ser diagnosticado só em estágios mais avançados. A descoberta foi publicada na revista científica Cell nessa quinta-feira (22/1).
Como o estudo foi feito
Para entender como o câncer de pâncreas consegue crescer rápido sem ser visto, os pesquisadores estudaram células tumorais em laboratório e fizeram testes em animais. O foco era observar o comportamento das células em situações de crescimento acelerado, que são bem comuns nesse tipo de tumor.
Durante os experimentos, a equipe identificou que as células cancerígenas ativavam um mecanismo interno que consegue eliminar sinais que normalmente chamariam a atenção do sistema imunológico.
Em uma segunda etapa, os cientistas modificaram geneticamente essas células através da proteína MYC para impedir o mecanismo e acompanharam a resposta do organismo.
Depois das análises, os resultados mostraram que, quando esse processo de camuflagem era interrompido, o sistema imunológico conseguia reconhecer o tumor e reagir contra ele, reduzindo as lesões.
O papel da proteína MYC
O estudo mostrou que o mecanismo usado pelo câncer de pâncreas para se esconder do sistema imunológico está ligado à proteína MYC, que já é conhecida por estimular o crescimento rápido dos tumores. Em situações normais, essa proteína se liga ao DNA e ativa genes que fazem as células se multiplicarem.
Porém, os pesquisadores observaram que nos tumores que crescem mais agressivos, o MYC age de outra maneira. Em vez de se ligar ao DNA, a proteína se conecta ao RNA, que é a molécula envolvida na produção de proteínas dentro da célula.
Assim, o MYC ajuda a eliminar as estruturas genéticas defeituosas que normalmente funcionariam como sinais de alerta para o sistema imunológico. Sem esses avisos, as defesas do organismo não são ativadas e o tumor consegue crescer sem ser identificado.
Câncer de pâncreas
- Esse tipo de câncer ocorre quando células anormais crescem e se multiplicam no pâncreas, formando um tumor.
- Entre os principais sintomas da condição, estão: dor abdominal ou nas costas, perda de apetite e perda de peso involuntária, icterícia (pele e olhos amarelados), urina escura e fezes claras, coceira na pele, indigestão e fadiga.
- Dependendo do estágio da doença, o câncer de pâncreas pode ser tratado através de cirurgia, quimioterapia ou radioterapia.
Enganando o sistema imunológico
A principal conclusão dos pesquisadores foi que o crescimento acelerado do câncer de pâncreas não depende só da multiplicação das células, mas também da capacidade do tumor de enganar o sistema imunológico.
A pesquisa mostrou que essas duas funções acontecem de forma independente dentro da proteína MYC. Isso significa que é possível interferir no mecanismo usado pelo tumor para se esconder, sem afetar diretamente o processo de crescimento celular.
De acordo com os autores do estudo, a descoberta tem um grande potencial para novas abordagens terapêuticas no tratamento do câncer de pâncreas. A ideia é permitir que o organismo volte a identificar o câncer e atue contra a doença, o que pode contribuir para tratamentos menos invasivos e mais eficazes no futuro.
FONTE: METROPOLES
