
O Brasil registrou em 2025 o maior número de feminicídios da série histórica. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública indicam que, ao longo do ano, quatro mulheres foram assassinadas por dia, a maioria por parceiros ou ex-parceiros. Os números reforçam que o crime é, em geral, o desfecho de ciclos prolongados de violência doméstica.
Para Danda Coelho, idealizadora do movimento Mulheres Cuidando de Mulheres, o feminicídio não ocorre de forma repentina. “Ele é construído ao longo do tempo, em relações marcadas por controle, medo e desqualificação. Quando chega ao extremo, os sinais já estavam presentes”, afirma. Segundo ela, a violência psicológica e emocional, muitas vezes invisível, é um dos principais fatores que mantêm mulheres presas a relações abusivas.
Danda defende que romper o silêncio é essencial para preservar vidas. “O silêncio não protege, apenas fortalece o agressor. Falar e buscar apoio são atos de sobrevivência”, diz. Para a pesquisadora, o enfrentamento do feminicídio exige ações coletivas, informação e a recusa da sociedade em normalizar relações abusivas.
