O historiador Weidson Ferreira e o ex-prefeito Victor Coelho (PSB) têm se consolado em uma narrativa melancólica sobre a suposta defesa de um “legado” político que, na prática, jamais se consolidou. Em ano eleitoral, ambos passaram a agir movidos mais pelo ressentimento do que pela razão estratégica. Assim, recorreram à tentativa de construção artificial de uma candidatura, a socialista Lorena Vasques, cercada por personagens inexpressivos e sem densidade eleitoral.
Contudo, o resultado foi previsível. Em vez de força política, emergiu um discurso confuso, marcado por contradições internas e por um visível desequilíbrio narrativo. O grupo perdeu o controle do próprio enredo.
O medo da invalidação e a reação desordenada
Nesse contexto, o avanço de Norma Ayub (PP), esposa do prefeito Theodorico Ferraço (PP), funcionou como gatilho emocional. O receio de perder definitivamente os poucos ativos políticos restantes gerou reações desordenadas. Como consequência, surgiram sinais claros de pânico, tropeços verbais e uma comunicação errática.
Além disso, o grupo passou a agir por impulso. Faltou clareza, sobrou ansiedade. Esse tipo de comportamento é típico de quem já não consegue sustentar um projeto com bases sólidas.
Dependência da Prefeitura e obsessão pelo poder
A obsessão é evidente. Weidson Ferreira e Victor Coelho têm na Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim uma dependência quase absoluta. Sem o controle do Executivo municipal, o projeto político se esvazia. Dessa forma, tentam apagar erros do passado atacando, de forma primitiva, as iniciativas dos atuais protagonistas.
Entretanto, a estratégia produz efeito contrário. Onde há rejeição acumulada, ela tende a crescer. A tentativa de deslegitimação apenas amplia o desgaste.
O silêncio de Ricardo Ferraço e seus riscos
Enquanto isso, o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) mantém silêncio diante dessas reações típicas de abstinência de poder. Ainda assim, o silêncio não neutraliza os danos. As movimentações do grupo socialista contaminam o ambiente político de Cachoeiro, cidade que ocupa papel central na trajetória de Ricardo rumo ao Governo do Estado.
Por ora, o desconforto é contido. Contudo, se persistir, pode cobrar um preço político elevado.
A ferida aberta dos 10 mil votos
Há um dado que continua ecoando como uma ferida mal cicatrizada. Os pouco mais de 10 mil votos transferidos da antiga gestão socialista para Lorena Vasques, na eleição passada, nunca foram digeridos. Esse número revelou o limite do grupo.
Agora, com a entrada de Norma Ayub no jogo eleitoral, o medo evoluiu para pânico. A percepção de que o cenário fugiu definitivamente ao controle tornou-se dominante.
O abraço dos afogados e o risco do fim precoce
O comportamento atual lembra o clássico abraço dos afogados no fim da linha. É um roteiro conhecido na política capixaba. Foi assim com o petista Carlos Casteglione após dois mandatos consecutivos. Em sequência rápida, o poder se dissolveu e o capital político virou pó.
A história oferece lições. No entanto, nem todos parecem dispostos a aprendê-las.
Efeitos colaterais no projeto de Casagrande
Por fim, as trapalhadas acumuladas já ultrapassam os limites de Cachoeiro. Elas podem, inclusive, comprometer o planejamento eleitoral do governador Renato Casagrande (PSB) na disputa pelo Senado. Criou-se uma realidade paralela, marcada por paradoxos, ruídos e ataques desconexos.
Nesse cenário, cada ator deveria cuidar da própria história e enfrentar as próprias verdades. Ainda que seja desconfortável, é o único caminho possível. Se essas verdades ainda existirem.
